O avanço das discussões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos desencadeou uma intensa agenda institucional conduzida pela ABRA em defesa da reciclagem animal brasileira.

Em poucos dias, representantes da entidade estiveram reunidos com autoridades das áreas econômica, comercial, diplomática e agropecuária para apresentar os impactos das medidas norte-americanas sobre o setor e defender uma pauta considerada estratégica: a preservação da competitividade do sebo bovino brasileiro no principal mercado comprador do produto.

À frente da agenda estiveram o presidente do Conselho Diretivo da ABRA, Pedro Bittar, e o presidente Executivo, Decio Coutinho, que representaram os associados em uma série de encontros realizados em Brasília.

 

Números: de líder a sexto lugar em menos de um ano

O contexto que mobilizou o setor tem data precisa. Em agosto de 2025, o sebo bovino brasileiro passou a ser taxado em 50% nos Estados Unidos, enquanto Canadá e México, concorrentes diretos dos produtos nacionais, permaneceram isentos. O impacto foi imediato: o Brasil, que era o principal fornecedor de sebo bovino ao mercado norte-americano em 2025, caiu para a sexta posição em 2026.

Agora, uma investigação conduzida sob a Seção 301 propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, aprofundando a incerteza para as exportações.

Os números ajudam a dimensionar o que está em jogo. Em 2025, o Brasil exportou 424 mil toneladas de produtos da reciclagem animal para os Estados Unidos, sendo 389 mil delas em sebo bovino, o equivalente a 91,8% de tudo que o setor embarcou para o país. Mais do que isso: 42% de toda a exportação do setor brasileiro para o mundo foi sebo bovino destinado ao mercado norte-americano.

Do outro lado, os EUA também dependem desse produto. Em 2025, importaram 1,07 milhão de toneladas de sebo bovino, correspondendo a 83% de suas importações de gorduras animais. No primeiro trimestre de 2026, essa fatia subiu para 88%.

É nesse contexto que o setor acompanha a possibilidade de uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e busca construir alternativas antes que a medida seja efetivamente implementada.

 

A pauta chega às principais áreas do governo

ABRA esteve com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto

A primeira agenda, em 10 de junho, ocorreu com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto. A ABRA apresentou os impactos das medidas tarifárias para o setor e defendeu que o sebo bovino e os demais produtos da reciclagem animal sejam contemplados em uma eventual lista de exceções.

A reunião resultou no apoio do governo à pauta e em avanços relacionados ao pleito de revisão da classificação fiscal (NCM) do sebo bovino, considerada uma ferramenta importante para fortalecer a posição do setor nas negociações comerciais. O encontro também trouxe orientações sobre mecanismos de apoio disponíveis às empresas exportadoras por meio do Plano Brasil Soberano. Leia na íntegra.

Com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

No mesmo dia, a pauta chegou ao Ministério das Relações Exteriores. Em reunião com o ministro Mauro Vieira, a ABRA apresentou o cenário enfrentado pelo setor e recebeu sinalização positiva para que o tema seja acompanhado no âmbito da atuação diplomática brasileira junto aos Estados Unidos.

O ministro também manifestou apoio à discussão sobre a NCM específica para o sebo bovino e determinou o encaminhamento das informações à representação brasileira em Washington, ampliando a articulação do setor dentro do governo federal. Saiba mais.

Já nesta terça-feira (16), a agenda prosseguiu no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), onde a Secretaria-Executiva do MDIC, representada por Aline Damasceno Ferreira Schleicher, recebeu as demandas da ABRA e manifestou apoio às reivindicações apresentadas, tanto em relação às tarifas quanto ao avanço das discussões sobre a classificação fiscal do produto. Leia também.

 

Avanços na frente técnica

Além das agendas políticas e diplomáticas, a ABRA avançou nas discussões técnicas relacionadas à criação de uma NCM específica para o sebo bovino destinado ao uso industrial.

Em reunião com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), na última semana (11), o setor apresentou o pleito e recebeu uma avaliação positiva sobre a proposta. O processo seguirá agora as etapas de análise previstas nos órgãos competentes do governo brasileiro e, posteriormente, no âmbito do Mercosul. Para a ABRA, essa é uma das medidas com maior potencial para fortalecer a posição do setor em futuras negociações comerciais.

A mobilização também incluiu a participação da entidade em webinar promovido pela ApexBrasil para discutir os possíveis impactos das novas tarifas norte-americanas e as estratégias de atuação disponíveis ao setor privado.

Mais do que uma sequência de reuniões, a agenda das últimas semanas demonstra uma atuação coordenada em diferentes frentes (política, diplomática, comercial e técnica) para garantir que as demandas da reciclagem animal estejam presentes nas negociações que podem definir os próximos passos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094