Enquanto o Brasil se prepara para discutir com os Estados Unidos os efeitos das possíveis novas medidas tarifárias sobre produtos nacionais, a reciclagem animal busca garantir espaço nessa agenda. Em reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ABRA apresentou as principais demandas do setor e recebeu sinalização positiva do governo para o avanço das pautas.

O encontro ocorreu na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira (16). A Secretaria-Executiva do MDIC, representada por Aline Damasceno Ferreira Schleicher, recebeu o presidente do Conselho Diretivo da ABRA, Pedro Bittar, e o presidente Executivo, Decio Coutinho. Além de apresentar a atuação da entidade e a relevância econômica da reciclagem animal brasileira, a Associação detalhou os cenários nacional e internacional que vêm impactando a atividade.

Entre os temas centrais da reunião esteve a situação do sebo bovino no mercado norte-americano. A ABRA apresentou ao MDIC as preocupações do setor diante das tarifas já aplicadas pelos Estados Unidos e da possibilidade de uma nova alíquota adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que, caso implementada, poderá ampliar os impactos sobre as exportações nacionais.

A ABRA defendeu que os demais produtos da reciclagem animal, em especial o sebo bovino, sejam considerados em uma eventual lista de exceções nas negociações conduzidas pelo governo brasileiro. Também foi apresentada a demanda relacionada à revisão da classificação fiscal (NCM) do sebo bovino, considerada estratégica para fortalecer a posição do produto brasileiro nas discussões comerciais em andamento.

A equipe do MDIC recebeu as demandas apresentadas pela ABRA de forma positiva e manifestou apoio às pautas defendidas pelo setor. A reunião reforçou o alinhamento institucional em torno da busca por alternativas que preservem a competitividade da reciclagem animal brasileira e ampliou o diálogo entre o setor e uma das principais áreas do governo envolvidas na formulação da política industrial e comercial do país.

 

O peso do mercado norte-americano para a reciclagem animal

Os dados levados ao Ministério ajudam a dimensionar a relevância da pauta. Em 2025, o sebo bovino respondeu por 91,8% das exportações brasileiras da reciclagem animal destinadas aos Estados Unidos. No mesmo período, 96,8% de todo o sebo bovino exportado pelo Brasil teve como destino o mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos seguem dependentes do produto, que representou 83% de todas as importações norte-americanas de gorduras animais em 2025, participação que subiu para 88% no primeiro trimestre de 2026.

A ABRA também destacou que o Brasil figurou como o principal fornecedor de sebo bovino para os Estados Unidos em 2025, posição perdida após a implementação das tarifas aplicadas. Em 2026, o país passou a ocupar a sexta colocação entre os exportadores para aquele mercado.

A agenda integra a série de reuniões realizadas pela ABRA com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro de Estado das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para apresentar os impactos das medidas tarifárias norte-americanas e assegurar que as especificidades da reciclagem animal sejam consideradas nas discussões conduzidas pelo governo brasileiro.

 

Foto: Júlio César Silva/MDIC

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094