A transição para combustíveis marítimos de menor emissão já avançou da discussão sobre possibilidades tecnológicas para uma questão mais concreta: quais alternativas têm matéria-prima, escala, infraestrutura e condições comerciais para chegar ao mercado. Foi nesse cenário que oBrazilian Renderers, uma parceria entre a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), participou daArgus Sustainable Marine Fuels Conference, realizada de 23 a 25 de setembro, em Houston, nos Estados Unidos.

Organizado pela Argus Media, o encontro reuniu representantes de diferentes pontos da cadeia de combustíveis marítimos, entre produtores, armadores, fornecedores de bunker, portos, reguladores, empresas de tecnologia e agentes do setor energético. A programação percorreu desde alternativas já comercialmente disponíveis, como biocombustíveis e gás natural liquefeito, até rotas ainda em processo de escalonamento, além de discutir infraestrutura de abastecimento, disponibilidade de matérias-primas, financiamento e evolução regulatória. Entre as empresas presentes estiveram Shell, Neste, Royal Caribbean Group e a brasileira Petrobras.

O debate ganha espaço à medida que o transporte marítimo busca reduzir emissões em um ambiente no qual ainda existem diferenças regulatórias entre mercados e dúvidas sobre quais combustíveis poderão ser produzidos em volume suficiente. Nesse cenário, a disponibilidade de matérias-primas renováveis passou a ocupar parte relevante das discussões e colocou o Brasil em posição de interesse para diferentes agentes da cadeia.

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Disponibilidade brasileira abre conversa com a Petrobras

A participação do Brazilian Renderers trouxe para a discussão um recorte diretamente ligado à reciclagem animal. Em um evento de perfil restrito e presença de representantes de empresas brasileiras, entre elas a Petrobras Biocombustível (PBIO), a disponibilidade de gorduras animais no Brasil apareceu como um dos pontos centrais das conversas.

Uma das dúvidas apresentadas pelos agentes brasileiros foi objetiva: há matéria-prima suficiente para atender a uma eventual expansão da demanda por biocombustíveis?

Os dados apresentados pelo Brazilian Renderers e o setor de reciclagem animal ajudaram a dimensionar essa oferta. O mercado doméstico absorve atualmente entre 700 mil e 800 mil toneladas de sebo bovino por ano, enquanto aproximadamente 500 mil toneladas adicionais permanecem disponíveis. Quando considerada a produção de gorduras animais de forma mais ampla, o potencial chega a cerca de 1,4 milhão de toneladas disponíveis, além do volume de sebo já consumido internamente.

O tema também abriu uma frente prática de trabalho. A partir das conversas realizadas em Houston, deverá ser feito um cruzamento entre a localização das usinas de biodiesel e as plantas das empresas associadas à ABRA, considerando diferentes raios de distância. O levantamento permitirá identificar fornecedores com maior viabilidade logística para atendimento às usinas e servirá de apoio às próximas discussões com a Petrobras e outros agentes do segmento.

A rastreabilidade também entrou no diálogo. A ampliação da atuação da ABRA nessa agenda foi apresentada aos participantes como um elemento adicional para estruturar o aproveitamento de matérias-primas que hoje ainda encontram limitações para acessar novos mercados e aplicações.

A aproximação ocorre em um momento de reorganização dos fluxos comerciais do sebo brasileiro. Desde 2025, as tarifas impostas pelos Estados Unidos alteraram a competitividade do produto naquele mercado e levaram a ABRA, em junho, a uma série de agendas com o Governo Federal. Entre as pautas estiveram a busca por alternativas às barreiras comerciais e a revisão da classificação fiscal do sebo destinado ao uso industrial.

Em 2025, o sebo bovino respondeu por 91,8% das exportações brasileiras da reciclagem animal destinadas aos Estados Unidos, enquanto 96,8% de todo o sebo exportado pelo Brasil seguiu para aquele mercado. As mudanças tarifárias reforçaram, portanto, a necessidade de ampliar aplicações e canais comerciais para as gorduras animais brasileiras.

As conversas iniciadas em Houston devem continuar no Brasil. Entre os próximos passos está uma agenda com a equipe da Petrobras no Rio de Janeiro, além do desenvolvimento do mapeamento logístico das plantas produtoras e consumidoras. A próxima edição da Argus Sustainable Marine Fuels Conference está prevista para setembro de 2027.

 

Brazilian Renderers
Desde 2012, a ABRA e a ApexBrasil promovem em parceria o projeto Brazilian Renderers, com o objetivo de fomentar as exportações do setor de Reciclagem Animal — farinhas, gorduras, hemoderivados, palatabilizantes e proteínas hidrolisadas de origem animal. Por meio da participação em feiras, realização de workshops e outras ações especiais de promoção comercial, os projetos valorizam atributos da indústria da reciclagem animal e seus produtos — como a qualidade, o status sanitário e a sustentabilidade da produção — e valorizam as marcas internacionais dos produtos, fomentando novos negócios para os exportadores brasileiros. Informações sobre como fazer parte dos projetos setoriais podem ser obtidas pelo site brazilianrenderers.com.


Sobre a ABRA
A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) é uma entidade que representa as indústrias do setor de reciclagem animal produtoras de Farinhas, Gorduras, Hemoderivados, Proteínas Hidrolisadas, Palatabilizantes, que são utilizados como ingredientes na formulação de alimentos para animais de produção e pet food, e as gorduras para fabricação de biocombustíveis. É uma entidade sem fins lucrativos. Foi fundada em 2006 e trabalha para promover os seus associados, divulgar ações voltadas para o segmento, intermediar a relação com outras entidades e órgãos governamentais, além de fomentar a geração de negócios no mercado nacional e internacional. Para saber mais, acesse: abra.ind.br.


Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações direcionadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país. Para saber mais, acesse: apexbrasil.com.br.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094
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