Projeto realizado em parceria com a ApexBrasil articula promoção comercial, inteligência e qualificação para ampliar a presença internacional da reciclagem animal brasileira

Antes de uma carga de ingredientes de origem animal cruzar a fronteira, há um caminho que passa por negociações sanitárias, conhecimento de mercado, qualificação industrial e aproximação com compradores.
Em 2025, essa construção ganhou novos resultados: o setor conquistou 11 Certificados Sanitários Internacionais (CSIs), enquanto o Brazilian Renderers, parceria entre a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), deu continuidade à estratégia de expansão internacional da indústria brasileira de reciclagem animal.
Os números reunidos no Anuário ABRA 2025 ajudam a dimensionar esse trabalho. Desde 2014, as empresas apoiadas pelo Brazilian Renderers acumularam mais de US$ 3,7 bilhões em exportações. Mais de 100 empresas foram beneficiadas ao longo da execução do projeto, cujo convênio existe desde 2012, com renovações sucessivas e ininterruptas.

Ao longo de sete convênios, a iniciativa já soma mais de R$ 28,7 milhões em investimentos conjuntos. Atualmente, o projeto apoia 102 empresas, com presença em cerca de 80 mercados internacionais, entre eles Hong Kong, Estados Unidos, China e Vietnã. Só até agosto de 2026, as exportações apoiadas pelo Brazilian Renderers alcançaram US$ 479,06 milhões, equivalentes a 47,63% das vendas externas brasileiras do segmento no período.
Por meio do Brazilian Renderers, a presença internacional do setor combina missões empresariais, participação em feiras, inteligência comercial e aprimoramento técnico. A proposta é aproximar a capacidade de produção brasileira das exigências e oportunidades de diferentes mercados, criando condições para que as empresas ampliem seus negócios no exterior.
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A abertura começa antes da negociação comercial
O reconhecimento sanitário é uma das etapas decisivas desse percurso. Os 11 novos certificados registrados em 2025 abrangem diferentes produtos, entre eles derivados de sangue, farinhas e óleos de pescado e gorduras de espécies terrestres. O chamado CSI – Certificado Sanitário Internacional amplia as possibilidades de comércio dentro das condições pactuadas entre as autoridades dos países envolvidos.

Cada certificado representa mais do que uma simples autorização pontual. Os esforços de negociação geridos pela ABRA mostram que o acesso a um mercado é construído antes mesmo de a primeira operação comercial acontecer. A definição dos requisitos sanitários, a emissão dos certificados e a adequação das empresas formam uma sequência necessária para transformar uma oportunidade de mercado em uma possibilidade efetiva de exportação e acesso à novos mercados – sejam produtos que ainda não faziam parte do fluxo comercial com determinado país, sejam, de fato, novos países.
A habilitação das unidades industriais completa esse trabalho. Em 2025, o Brazilian Renderers acompanhou quatro auditorias que resultaram na aprovação de 25 estabelecimentos brasileiros para exportação. Certificação sanitária e habilitação são frentes complementares: o certificado estabelece as condições sanitárias para determinado produto e mercado, enquanto a habilitação identifica quais unidades podem exportar dentro dos requisitos aplicáveis.
Esse movimento também evidencia que a abertura de mercados não se encerra com a negociação entre governos. Para que um novo acesso se converta em comércio, é necessário que exista capacidade industrial habilitada para atender às exigências estabelecidas, isto é, criar acesso e, ao mesmo tempo, apoiar o setor para utilizá-lo. Esse é o trabalho essencial que a ABRA, por meio do Brazilian Renderers, também desempenha em favor do setor: capacitação aliada ao fomento às exportações.
Essa agenda se apoia na articulação da ABRA com empresas e órgãos públicos. O balanço de 2025 registra 94 reuniões com organismos oficiais, das quais 67 em âmbito federal e 27 estadual, além de pelo menos 16 agendas oficiais com adidos agrícolas. São frentes de representação que permitem encaminhar demandas, discutir entraves e sustentar o diálogo técnico necessário ao desenvolvimento do setor.


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Presença comercial com continuidade
A promoção internacional leva esse trabalho até quem compra. A agenda de 2025 incluiu feiras e encontros empresariais em mercados das Américas, da Ásia e da África, com ações Brazilian Renderers Business Connection em países como Chile, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Singapura, Honduras e Guatemala.
Para uma indústria com aplicações em nutrição animal, pet food, aquicultura e biocombustíveis, atuar em diferentes destinos também exige compreender demandas específicas. A mesma base produtiva pode atender compradores com critérios distintos de composição, qualidade, documentação e uso industrial. Inteligência comercial e qualificação ajudam a transformar essa diversidade em possibilidades concretas de negócios.
A atuação da ABRA alcança ainda capacitação, representação nacional, pesquisa e sustentabilidade. No campo da expansão internacional, o Brazilian Renderers organiza uma frente contínua de trabalho por meio da parceria com a ApexBrasil. É nessa combinação entre articulação institucional, preparação das empresas e promoção comercial que o setor constrói condições para conquistar mercados e permanecer neles.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094
Fonte editorial: Anuário ABRA 2025, capítulo 1, especialmente pp. 6–17.









