
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus, no município de Nova Itaberaba (SC), em 18 de outubro, trouxe novos desdobramentos para o comércio internacional de produtos avícolas. Embora a ocorrência esteja localizada, seus efeitos exigem atenção às condições sanitárias estabelecidas pelos países importadores, tanto para a exportação de carnes quanto de ingredientes produzidos pela indústria de reciclagem animal.
O foco foi identificado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência internacional no diagnóstico da doença. O estabelecimento foi interditado e submetido aos protocolos oficiais de contenção e erradicação.
Desde a confirmação do caso, a ABRA acompanha as medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e mantém seus associados informados sobre as atualizações que afetam o setor.
Atualizações sanitárias e impactos nas exportações
Em 20 de outubro, o MAPA publicou o Ofício-Circular Conjunto DIPOA/DSA nº 18/2026, que substituiu as orientações anteriores e atualizou os critérios de certificação sanitária para exportação.
Para a reciclagem animal, o documento mantém a possibilidade de exportação de farinhas e gorduras de aves ao Chile, desde que atendidos os tratamentos térmicos e demais requisitos sanitários, e de óleo de aves para alimentação animal ao México, conforme as condições aplicáveis. Também estabelece novas orientações sobre declarações de origem, rastreabilidade e trânsito de resíduos de abate provenientes da área de 10 quilômetros ao redor do foco.
As restrições variam conforme o produto, o mercado de destino, a origem da matéria-prima e as datas aplicáveis. A ABRA segue prestando suporte informativo aos associados, com o repasse das comunicações oficiais e das orientações pertinentes às operações do setor.
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A solidez da estrutura sanitária brasileira
Vale destacar que, mesmo diante de ocorrências sanitárias pontuais, o Brasil dispõe de um sistema de defesa agropecuária estruturado, com mecanismos de vigilância, fiscalização e controle que sustentam seu histórico sanitário e o reconhecimento internacional.
O Brasil possui reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa sem vacinação, além de ser autodeclarado livre da peste suína africana e apresentar risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina. Até a confirmação do foco em Santa Catarina, em 18 de outubro de 2026, o país também possuía status autodeclarado de livre da doença de Newcastle.

Fonte: Anuário ABRA 2025
Na reciclagem animal, o controle sanitário se estende desde os estabelecimentos que originam os resíduos até as indústrias responsáveis por seu processamento. A fiscalização oficial, conduzida pelo MAPA por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), exige programas de autocontrole, boas práticas de fabricação, procedimentos de higiene operacional, análise de perigos e pontos críticos de controle, além da rastreabilidade da matéria-prima ao produto acabado.
Essa estrutura é determinante para a segurança dos produtos brasileiros e para a manutenção da confiança dos mercados internacionais. A identificação da ocorrência, a rápida adoção dos protocolos sanitários e a atualização das exigências de certificação integram os mecanismos de vigilância e resposta do país diante de riscos à sanidade animal.

Fonte: Anuário ABRA 2025
Com informações do MAPA
Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094








