Aos pés dos Andes, a Reunião das Américas (REAM 2026) fez em três dias o que muitas convenções não alcançam em uma década: transformou palco, vinícola e área de exposição em um só circuito de negócios.

A quarta edição, realizada de 8 a 10 de setembro em Mendoza, fechou com o maior número de sua recente e intensa história — 501 participantes, 222 empresas, 22 países — e a confirmação de que o evento criado pela ABRA e pela AgriGlobal Market em 2023 já não é mais promessa: é rotina consolidada da indústria agroalimentar e de reciclagem animal nas Américas.

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O palco no centro do salão

A abertura já avisou que essa edição seria diferente antes mesmo da primeira palestra: o palco foi montado no meio do salão, cercado pelas cadeiras da plateia, apagando a distância entre quem falava e quem ouvia.

Pedro Bittar, presidente do Conselho Diretivo da ABRA, e Felipe Hurtado, CEO e fundador da AgriGlobal Market, dividiram esse centro com o ministro de Produção de Mendoza, Rodolfo Vargas Arizu, com representantes da OMSA e do IICA e com nomes do MAPA e da ApexBrasil — uma plateia de autoridades que deixou claro que a reciclagem animal já conversa de igual para igual com governos e organismos internacionais. Ao redor, patrocinadores e uma área de exposição internacional deram o retrato de um evento que veio para marcar o ano.

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Programação técnica seguiu forte

Sete palestrantes desfilaram os temas que estão redesenhando o rendering e a indústria agroalimentar: aditivos que transformam commodity em ingrediente funcional, a aquicultura como motor de demanda por farinhas animais, ganhos de eficiência energética na evaporação industrial, fusões e aquisições no setor, nutrição e pet food, sensores NIRS aplicados à indústria 5.0 e o retorno do sebo à mesa humana.

Hugo Sánchez, Germán Dávalos, Camilo Avendaño, o próprio Felipe Hurtado, Charles Starkey, Ana Garrido-Varo e Eduardo Dubinsky passaram pelo palco, e a manhã se encerrou com um painel puxado por Décio Coutinho, presidente executivo da ABRA e cofundador da REAM, ao lado de Francisco D’Alessio (OMSA) e Fernando Schwanke (IICA).

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Uma noite fria entre vinhas

Se a manhã foi de conteúdo, a noite de 8 de setembro foi de vinho e imersão cultural. Numa noite fria que já anunciava a primavera argentina, o grupo trocou o Hilton Mendoza pela Bodega Los Toneles, aos pés do Aconcágua, para o coquetel de boas-vindas. É uma tradição que a REAM carrega desde a primeira edição — já foi um passeio de barco ao pôr do sol em Cartagena, um castelo histórico em Medellín, um rancho típico em Guadalajara — e que segue a mesma lógica em toda parada: negócio também se constrói brindando.

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Onde o negócio realmente acontece

Nos dias seguintes, a conversa mudou de tom. Nos dias 9 e 10, 489 das 501 pessoas presentes passaram pelas rodadas de negócios organizadas junto à área de exposição — representando 222 empresas de 22 países.

É o tipo de número que explica por que a REAM já mudou o mapa comercial do setor: entre agosto de 2023 e junho de 2026, o Brasil exportou 1,69 milhão de toneladas de produtos da reciclagem animal para as Américas, 87% a mais que no período equivalente anterior, somando US$ 1,93 bilhão em vendas — 31% de crescimento.

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Encontro de Adidos

Enquanto os negócios rodavam nos estandes, uma reunião mais discreta acontecia: o MAPA reuniu, em encontro privado, os adidos agrícolas brasileiros que atuam em oito países das Américas, com Augusto Billi, Carolina Eufêmia Aquino de Sá, Priscilla Stefany Costa Santos Burmann Weberling e Paula Soares.

Nos dois dias seguintes, eles saíram da sala fechada para conversar direto com associados da ABRA e participantes da REAM — a ponte mais curta possível entre a mesa de negociação e quem representa o Brasil lá fora.

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Recorde batido, Panamá no horizonte

Na despedida, o microfone passou por Felipe Hurtado, Pedro Bittar e Decio Coutinho — e o resumo dos três foi praticamente o mesmo: a REAM se constrói com gente, não só com estrutura. “Ela se constrói com pessoas: com quem coloca suas mãos, sua cabeça, seu tempo e, sobretudo, seu coração para fazer tudo acontecer”, resumiu Hurtado. Bittar arrematou com um chamado ao destino seguinte — “Mendoza, obrigado! Que venha o Panamá!” — e Coutinho fechou agradecendo a quem, no fim das contas, dá sentido ao evento: “quem comercializou, fez contato, comprou, vendeu”. Todas as edições da REAM bateram recorde de participação. Esta não foi diferente.

A quinta edição já tem data e destino: setembro de 2027, no Panamá — mais uma parada numa trajetória que já passou por duas vezes pela Colômbia, além de México e Argentina.

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