ABRA alerta que medida reduz a competitividade do setor e
afeta mercado responsável por 42% das exportações brasileiras da reciclagem animal

Os produtos brasileiros da reciclagem animal permanecerão sujeitos à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. A confirmação foi feita pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), após análise técnica da lista de isenções tarifárias divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que não contemplou os principais produtos exportados pelo setor, como o sebo bovino e as farinhas de origem animal.
Os números ajudam a dimensionar o impacto da medida. Em 2025, o Brasil exportou 424 mil toneladas de produtos da reciclagem animal para os Estados Unidos, sendo 389 mil toneladas de sebo bovino — o equivalente a 91,8% de tudo o que o setor embarcou para aquele mercado. Mais do que isso: 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo correspondeu ao sebo bovino destinado ao mercado norte-americano.
Do outro lado, os Estados Unidos também dependem desse insumo. Em 2025, o país importou 1,07 milhão de toneladas de sebo bovino, volume que representou 83% de todas as suas importações de gorduras animais. No primeiro trimestre de 2026, essa participação aumentou para 88%, reforçando a relevância do produto brasileiro para a indústria norte-americana.
Apesar dessa complementaridade comercial, a análise conduzida pela ABRA confirmou que os códigos tarifários correspondentes às farinhas de origem animal e às gorduras animais permaneceram fora da lista de isenções publicada pelo governo norte-americano. O levantamento avaliou detalhadamente os subitens da Harmonized Tariff Schedule of the United States (HTSUS) e concluiu que os produtos da reciclagem animal seguem sujeitos à sobretaxa de 25%, reduzindo sua competitividade frente a fornecedores de outros países e ampliando a insegurança para uma cadeia estratégica da economia brasileira.
“Os dados mostram que essa não é uma questão pontual. Estamos falando de um mercado que absorve 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo na forma de sebo bovino e que também depende desse insumo para abastecer sua própria indústria. Penalizar esse fluxo comercial significa criar barreiras para uma cadeia estratégica dos dois países. A ABRA continuará empregando todos os esforços institucionais e técnicos para que a reciclagem animal seja retirada do escopo dessas tarifas e possa competir em igualdade de condições no mercado internacional”, afirma o presidente do Conselho Diretivo da ABRA, Pedro Bittar.
Além do trabalho técnico que subsidiou essa análise, a ABRA mantém uma intensa agenda de articulação institucional junto ao Governo Federal, acompanhando as negociações entre Brasil e Estados Unidos e defendendo a retirada da sobretaxa sobre os produtos da reciclagem animal. A Associação segue em contato com os ministérios e órgãos envolvidos nas tratativas, fornecendo subsídios técnicos para apoiar a construção de soluções que preservem a competitividade das exportações brasileiras e reduzam os impactos das medidas tarifárias sobre o setor.







