A confirmação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros da reciclagem animal abriu uma nova etapa para o setor nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. Nesta quarta-feira (22), a ABRA levou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) os primeiros reflexos da medida sobre a indústria de rendering e apresentou informações técnicas para subsidiar a definição das prioridades do Governo Federal nas tratativas com o mercado norte-americano.

A reunião, conduzida pelo ministro Márcio Elias Rosa, reuniu representantes de diferentes cadeias produtivas. O ministro afirmou que o Governo priorizará o diálogo na negociação com os Estados Unidos, evitando ao máximo a adoção de medidas de reciprocidade. Ressaltou, contudo, que esse instrumento poderá ser utilizado caso seja necessário para a defesa dos interesses brasileiros.

Com a confirmação das tarifas adicionais golpeando as exportações, foi definida a realização de uma nova reunião entre o Governo Federal e representantes do setor de reciclagem animal. O objetivo do encontro será aprofundar a avaliação dos impactos e discutir estratégias de negociação. A data do próximo encontro ainda será definida.

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ABRA alerta: impactos já aparecem nas exportações

Em sua manifestação, a ABRA apresentou os impactos observados sobre as exportações brasileiras de sebo bovino, que registraram queda de 42%, refletindo a perda de competitividade em um mercado que concentra parcela significativa das vendas externas do setor.

A Associação destacou ainda a importância estratégica do sebo bovino para a produção de combustíveis limpos no Brasil e nos Estados Unidos. A matéria-prima é utilizada na fabricação de biocombustíveis e deverá desempenhar papel relevante no desenvolvimento dos programas norte-americanos de combustíveis sustentáveis, especialmente na produção de combustível sustentável de aviação — SAF.

Nesse contexto, a ABRA ressaltou que a manutenção das tarifas pode afetar não apenas a competitividade das exportações brasileiras, mas também o abastecimento de uma matéria-prima necessária ao avanço das políticas de descarbonização e transição energética do próprio mercado norte-americano.

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Agenda construída desde junho

Em pouco mais de um mês, a pauta conduzida pela ABRA percorreu diferentes esferas do Executivo, deixou de ser uma discussão restrita a associados e exportadores de sebo bovino e passou a integrar uma agenda mais ampla de política comercial. A reunião desta semana representa justamente essa mudança de patamar: depois de um período dedicado a apresentar os riscos das medidas tarifárias, o setor passa, agora, a contribuir diretamente com a construção da estratégia brasileira para as negociações com os Estados Unidos.

A atuação do setor teve início ainda em junho, quando a entidade levou ao Governo Federal as preocupações do rendering nacional diante do avanço das discussões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos. Ao longo desse período, o setor levou suas demandas ao vice-presidente Geraldo Alckmin, ao Ministério das Relações Exteriores, ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e ao próprio MDIC, além de avançar nas discussões sobre a criação de uma classificação fiscal (NCM) específica para o sebo bovino destinado ao uso industrial, com o objetivo de preservar a competitividade do sebo bovino brasileiro e contribuir para a construção de alternativas.

Os números ajudam a dimensionar o impacto da medida

Em 2025, o Brasil exportou 424 mil toneladas de produtos da reciclagem animal para os Estados Unidos, sendo 389 mil toneladas de sebo bovino — o equivalente a 91,8% de tudo o que o setor embarcou para aquele mercado. Mais do que isso: 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo correspondeu ao sebo bovino destinado ao mercado norte-americano.

Do outro lado, os Estados Unidos também dependem desse insumo. Em 2025, o país importou 1,07 milhão de toneladas de sebo bovino, volume que representou 83% de todas as suas importações de gorduras animais. No primeiro trimestre de 2026, essa participação aumentou para 88%, reforçando a relevância do produto brasileiro para a indústria norte-americana.

“Os dados mostram que essa não é uma questão pontual. Estamos falando de um mercado que absorve 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo na forma de sebo bovino e que também depende desse insumo para abastecer sua própria indústria. Penalizar esse fluxo comercial significa criar barreiras para uma cadeia estratégica dos dois países. A ABRA continuará empregando todos os esforços institucionais e técnicos para que a reciclagem animal seja retirada do escopo dessas tarifas e possa competir em igualdade de condições no mercado internacional”, afirma o presidente do Conselho Diretivo da ABRA, Pedro Bittar.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094

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