Entre novas aplicações industriais, bioinsumos e metas de redução de emissões, o setor de reciclagem animal vive uma transição que já não se projeta apenas para o futuro. Os temas que hoje movimentam pesquisas, investimentos e estratégias empresariais estiveram no centro do 11º Diálogo Técnico do Setor de Reciclagem Animal, realizado pela ABRA durante a Fenagra 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Ao longo da tarde de 12 de maio, especialistas do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas de Goiás, do SENAI São Paulo e representantes da indústria discutiram caminhos para ampliar mercados, desenvolver novos produtos e preparar o setor para as exigências ambientais e regulatórias que avançam sobre as cadeias globais de proteína animal.

Na abertura do encontro, o presidente do Conselho Diretivo da ABRA, Pedro Bittar, destacou o amadurecimento institucional do setor e o papel estratégico da reciclagem animal na competitividade da proteína brasileira. “A reciclagem animal hoje é parte estratégica da competitividade das cadeias de proteína animal do Brasil. Transforma um passivo em valor; reduz impactos ambientais; gera ingredientes essenciais para nutrição animal, petfood, biodiesel, cosméticos, fertilizantes e uma série de aplicações que não param de crescer”, afirmou.

Bittar também ressaltou que a consolidação do Diálogo Técnico ao longo de onze edições reflete a capacidade do setor de antecipar tendências e construir agendas conjuntas entre indústria, ciência e entidades parceiras.

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Novas aplicações e expansão de mercados

O primeiro painel, “Rumos e inovações: o futuro do setor em debate”, foi conduzido por Nathalia Souza e Emannuel Campos, do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas de Goiás.

Nathalia Souza apresentou os avanços do projeto de mapeamento tecnológico das farinhas de ossos e vísceras, desenvolvido em parceria com a ABRA, que identificou oportunidades de aplicação em diferentes segmentos industriais. Entre eles estão nutrição animal, suplementos, agricultura, bioenergia e usos industriais ainda pouco explorados pelo mercado brasileiro.

A apresentação também abordou o desenvolvimento de biofertilizantes a partir de farinhas de origem animal, tema que vem ganhando relevância diante da busca por alternativas mais sustentáveis para a agricultura. Os estudos avaliaram a viabilidade técnica de aplicação em culturas como uva, mamão, melão, milho, abóbora e hortaliças.

Em seguida, Emannuel Campos aprofundou os desafios técnicos e industriais ligados à estruturação desse mercado de bioinsumos, incluindo desenvolvimento tecnológico, estabilidade dos produtos, controle de qualidade e aproveitamento de matérias-primas naturais e subprodutos industriais.

O painel trouxe ainda discussões relacionadas ao estudo Visão 2045, iniciativa voltada à projeção de cenários para o setor de reciclagem animal nos próximos 5, 10 e 20 anos, considerando tendências de bioeconomia, diversificação de coprodutos, sustentabilidade e novos modelos de negócios.

 

Debate técnico reúne indústria e especialistas

A mesa redonda do primeiro painel ampliou a discussão sobre os impactos práticos dessas transformações para as empresas do setor. Participaram do debate Nathalia Souza e Emannuel Campos, do Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas de Goiás, e Decio Coutinho, presidente executivo da ABRA, como moderador.

Entre os temas discutidos estiveram a abertura de novos mercados para as farinhas de origem animal, os desafios regulatórios e tecnológicos dos biofertilizantes e o papel da inovação aplicada na ampliação do valor agregado dos coprodutos da reciclagem animal.

 

Descarbonização entra definitivamente na agenda industrial

No segundo painel do evento, a discussão se voltou à agenda ambiental das indústrias. Com o tema “Jornada de Descarbonização das Indústrias”, Ellen Marcom Tersariol, consultora do SENAI São Paulo e engenheira ambiental, apresentou caminhos práticos para redução de emissões e adequação às novas exigências de mercado.

A apresentação abordou inventários de emissões de gases de efeito estufa, metas alinhadas ao Acordo de Paris, eficiência operacional e estratégias de transição para modelos industriais de menor impacto ambiental. Segundo Ellen, a pressão por rastreabilidade ambiental e redução de emissões já influencia decisões comerciais, investimentos e acesso a mercados internacionais, tornando a agenda climática um componente cada vez mais presente nas estratégias industriais.

 

Mesa redonda discute oportunidades para o setor

A segunda mesa redonda reuniu Ellen Marcom Tersariol, Gustavo Urbani, do SENAI, Alvaro Laydner, diretor executivo da APC, e Decio Coutinho, novamente na moderação. O debate tratou das oportunidades específicas para o setor de reciclagem animal dentro da agenda de descarbonização, incluindo eficiência energética, aproveitamento de resíduos, redução de emissões industriais e potencial contribuição da atividade para modelos de economia circular.

Ao encerrar o encontro, a ABRA agradeceu a participação dos palestrantes, debatedores, associados, patrocinadores e parceiros institucionais, entre eles o SENAI Goiás e o SENAI São Paulo. Também foram reconhecidos os patrocinadores Eurotec Group, Fast Tecnologia Industrial e Oestergaard Feed & Foods, apoiadores desta edição do Diálogo Técnico.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094

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