As luzes do Villa Rizza se apagaram antes que qualquer voz ocupasse o microfone. Foi um som seco de maquinário, tão conhecido da indústria do rendering, que abriu a noite em que a Associação Brasileira de Reciclagem Animal completou 20 anos, como se a própria cerimônia quisesse lembrar, antes de qualquer discurso, do que trata o setor ali reunido: transformar o que parecia resíduo em valor.

Na tela, um vídeo de impacto resumiu em poucos minutos duas décadas de trabalho. Só então as luzes voltaram a subir sobre a plateia de associados, empresários, autoridades e parceiros reunida em Brasília, na noite de 25 de agosto.

A mensagem que atravessou a noite fugiu da mera celebração e encontrou a dimensão de um setor hoje organizado, representativo e integrado às grandes discussões que movem o Brasil.

Candidatos reconhecem a importância da ABRA e da reciclagem animal

Em um ano no qual as discussões sobre os rumos do país ganham força, a ABRA abriu diálogo com diferentes visões sobre o futuro do Brasil. Respeitando a legislação eleitoral, as manifestações de candidatos à Presidência da República foram apresentadas em vídeo, parabenizando a entidade pelos 20 anos e reconhecendo a importância da reciclagem animal para a economia, a sustentabilidade e o desenvolvimento do país.

Na mesma ocasião, a ABRA apresentou o Book de Reivindicações do Setor Produtivo e da Reciclagem Animal, documento que reúne propostas e prioridades para fortalecer a atividade, ampliar sua contribuição à economia e orientar a construção de políticas públicas para os próximos anos. O book será entregue a cada candidato à Presidência da República, para que todos tenham acesso às propostas e prioridades do setor.

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Uma nova gestão para uma ABRA que cresceu

Com a formalidade cumprida, a cerimônia devolveu o centro da noite ao motivo que reunia ali associados de todo o país. Décio Coutinho, presidente executivo da ABRA, conduziu a posse do Conselho Diretivo e do Conselho Fiscal para o biênio 2026–2028.

Pedro Bittar segue na presidência, agora ladeado pelos vice-presidentes José Carlos Silva de Carvalho Júnior, Dimas Ribeiro Martins Júnior, Hugo Leonardo Bongiorno, Murilo Santana e Fabio Garcia Spironelli. Tomaram posse também, no Conselho Fiscal, Rodrigo Hermes de Araújo, Wagner Fernandes Coura, Rodrigo Francisco e Roger Matias Pires.

A fotografia oficial da nova gestão reúne representantes de grandes indústrias do setor. Uma imagem que ajuda a dimensionar a força de uma cadeia que movimenta empresas em todo o país, gera empregos e transforma milhões de toneladas de resíduos em insumos.

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De volta a 2006

Em 24 de março de 2006, sob os efeitos ainda recentes da crise da vaca louca, um dos momentos mais delicados já vividos pela cadeia global de proteína animal, quatro empresários decidiram que a reciclagem animal brasileira precisava de uma casa própria, capaz de organizar o setor e falar em seu nome.

Baltazar Soares de Castro Júnior, Clênio Antônio Gonçalves (representado por Marcell Castro), José Eduardo Borges Malheiro e o próprio Pedro Bittar foram chamados ao palco, 20 anos depois, para receber, juntos, o reconhecimento de terem apostado em algo que, naquele momento, não tinha nenhuma garantia de dar certo.

A distância entre os quatro nomes reunidos ali e a Associação que hoje negocia com ministérios, publica anuários, conquista espaço no mercado internacional e recebe candidatos à Presidência é, em si, a medida do que a ABRA construiu. E parte dessa história também foi escrita por quem escolheu caminhar ao lado dela.

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Eurotec Group: uma parceria que atravessou os anos

Outra homenagem aclamou uma relação que atravessa praticamente toda a história da entidade.

“A vida me deu a oportunidade de escolher um irmão: Guillermo.” A frase de Pedro Bittar resumiu, sem meio-termo, o que a parceria com o Eurotec Group representa para ele. O grupo caminha ao lado da ABRA desde os primeiros anos e, em 2026, assumiu o patrocínio da celebração dos 20 anos.

Guillermo Vieira, presidente do grupo, subiu ao palco com sua equipe para receber a homenagem, em um gesto que reconheceu publicamente o apreço por anos de trabalho conjunto.

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Equipe em cena

A equipe da ABRA também teve seu momento. Convocados por Pedro Bittar, os profissionais que sustentam o trabalho cotidiano da Associação ouviram uma definição que resume o vínculo construído: “A ABRA é feita de profissionais por competência, de família por escolha e de propósito por amor.”

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Quando a conversa passou a ser sobre o Brasil

Foi só então, no trecho final da cerimônia, que a noite encontrou seu ponto mais marcante. No discurso de posse, Pedro Bittar deslocou o olhar da Associação para o país.

 “O Brasil não precisa de mais promessas. O Brasil precisa de um projeto de país”, disse logo de início, para uma plateia formada majoritariamente por quem vive da produção, do agro, da pecuária, do comércio e da indústria.

Bittar defendeu que esse projeto não nasce em gabinetes, mas no trabalho diário de quem produz, emprega e paga impostos; gente que, segundo ele, “não é o problema do Brasil. É parte da solução”.

O presidente da ABRA usou o próprio setor como exemplo do que chamou de capacidade produtiva do país: uma indústria que transforma resíduos da cadeia de proteína animal em alimento para animais, energia, fertilizantes, biodiesel, emprego, renda.

“A reciclagem animal não é apenas uma indústria. É um serviço essencial ao país”, resumiu.

Foi nesse mesmo espírito que apresentou o documento que a ABRA vinha preparando havia meses para os candidatos à Presidência da República, um conjunto de propostas para o setor produtivo que, segundo Bittar, não deveria ser lido como uma lista de reivindicações. “Não estamos entregando uma lista de pedidos. Estamos entregando uma agenda de futuro”, afirmou.

Diante de representantes de correntes políticas distintas, o presidente evitou o tom de disputa e escolheu insistir em uma responsabilidade que, para ele, antecede qualquer divergência: “Antes de sermos diferentes na política, somos iguais na responsabilidade de construir o Brasil.”

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O próximo capítulo já começou

“20 anos são história. Os próximos 20 serão legado”, disse Bittar, na frase que fechou oficialmente a cerimônia.

Há uma razão para que essa história tenha chegado até aqui com tamanha dimensão. Hoje, a ABRA reúne 266 indústrias de 70 grupos empresariais, responsáveis por cerca de 80% do mercado brasileiro de reciclagem animal. Por trás desses números estão empresas que escolheram caminhar juntas, dividir desafios, construir agendas comuns e dar ao setor uma voz que alcança governos, mercados e fronteiras.

É dessa base que vem a força da Associação. Os associados não acompanham a história da ABRA: são eles que a tornam possível.

E talvez seja justamente aí que os primeiros 20 anos encontrem os próximos. A reciclagem animal fez da transformação sua própria lógica e a ABRA cresceu fazendo o mesmo com desafios, oportunidades e caminhos que ainda precisavam ser abertos.

A celebração de 25 de agosto encerrou uma noite de memória, reconhecimento e novos compromissos. Para a ABRA, o próximo capítulo já começou.

Fotos: Saulo Cruz

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA
Luísa Schardong, jornalista, MTB/RS 0018094

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