O cenário da oferta global de carne bovina tem mudado dramaticamente nos últimos três anos e o CME Group acha que as mudanças continuarão impactando o comércio de carne bovina e os preços em 2014 e 2015. Recentemente, o CME Group revisou algumas das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o rebanho bovino nos principais países exportadores. No entanto, não há estimativas oficiais do USDA.
 
As estimativas oficiais foram atrasadas e os números na tabela abaixo devem ser vistos como indicadores, mas não foram submetidos a um processo normal de revisão. A tabela abaixo sumariza a situação de cada país. Apesar do declínio dos rebanhos bovinos na América do Norte, há um crescimento dos rebanhos na Oceania. No começo de 2014, o rebanho bovino australiano deverá aumentar em 8,6% comparado com o que era em 2011.

Destaque para o aumento da China como o principal comprador global de carne bovina. A China está agora comprando quase a mesma quantidade de carne bovina da Austrália que os Estados Unidos, enquanto no Uruguai, a China se tornou o principal destino. Isso é importante para as importações de carne bovina dos Estados Unidos, particularmente uma vez que existem apenas poucos países com alocações específicas de cota. Parece que a China se tornou um grande concorrente nesse sentido.
 
Canadá e México podem enviar carne bovina sem cota aos Estados Unidos, mas as ofertas desses países estão caindo. Brasil e Argentina ainda não podem enviar produtos de carne bovina fresco/congelado aos Estados Unidos. O USDA atualmente espera uma recuperação nas importações de carne bovina dos Estados Unidos em 2014, mas isso somente ocorrerá se os usuários finais dos Estados Unidos estiverem dispostos a pagar mais e “comprar” alguns produtos de outros mercados. Os abates de bovinos nos Estados Unidos permanecem muito importantes. No último ano, um aumento no número de abates de bovinos ajudou a pressionar os preços da carne magra sazonalmente para baixo.
 
A mudança nas ofertas globais de carne bovina tem implicações significativas para o fluxo comercial nos próximos anos. Austrália e Brasil estão expandindo seus rebanhos e isso implica em uma maior competição para a carne bovina dos Estados Unidos, especialmente nos lucrativos mercados da Ásia. Os importadores de carne bovina dos Estados Unidos estão vendo as ofertas caindo e parece improvável que as pressões de alta nos preços reverta isso em 2014, podendo, de fato, ser ainda mais pronunciado.
 
O rebanho bovino brasileiro deverá aumentar em 9,3% e o da Nova Zelândia deverá aumentar em 2,7%. Por outro lado, o rebanho dos Estados Unidos deverá cair em 5,1%, o Canadá deverá ter aumento de apenas 1,9%, enquanto o México terá uma queda de 19% comparado com os níveis de 2011. Para o CME Group, isso implica que algumas dessas tendências que vimos nesse ano somente se tornarão mais pronunciadas em 2014. Os compradores globais de carne bovina acharão cada vez mais difícil e cada vez mais caro comprar carne bovina da América do Norte. China e Hong Kong recentemente surgiram como importantes compradores de carne bovina. A China aumentou bastante suas compras de carnes australianas, uruguaias e neozelandesas. Hong Kong tem aumentado bastante suas importações de carne bovina brasileira e americana.
 
 
Fonte: CME Group, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.