Segundo o jornal Valor Econômico, apesar da perspectiva de um crescimento moderado no consumo de carne de frango e de ovos no mercado doméstico brasileiro nos próximos dez anos, o Nordeste tem grandes chances de ampliar significativamente sua produção avícola, que hoje responde por apenas 8% da nacional.

"Um estudo analítico da Datamétrica, consultoria de Recife (PE), especializada na economia nordestina, avalia que a cadeia da avicultura de corte na região pode pelo menos triplicar sua produção, para atender o próprio mercado consumidor do Nordeste, caso reduza custos de produção e faça os investimentos necessários.

Segundo o estudo, aumentar a fatia de participação na oferta de produtos avícolas é o desafio de criadores de aves e da agroindústria local, com destaque para os Estados de Pernambuco, Ceará e Bahia.

Encomendado pela Associação de Avicultura de Pernambuco (Avipe), o estudo traça projeções para a produção e o consumo de carne de frango e ovos até 2025 no Brasil e no Nordeste. Segundo as projeções feitas pelo economista Alexandre Rands, presidente da Datamétrica, a produção nordestina estimada para 2015 é de 540,3 mil toneladas de carne de frango, podendo chegar a 1,7 milhão de toneladas em 2025. As previsões, feitas com base em dados do IBGE, também projetam 13% de crescimento para a produção de ovos em uma década, atingindo 435,4 mil dúzias de ovos.

"O Nordeste hoje importa muito produtos avícolas da região Centro-Sul do país. A produção per capita é muito pequena, mas o consumo per capita no Nordeste é muito parecido com o resto do país. Então há um grande espaço para crescer substituindo o que é vendido para a região, mas é preciso mais competitividade", diz Rands.

Para ganhar competitividade, porém, o setor precisa reduzir custos de produção, observa o economista. Segundo ele, as granjas de aves de corte ou de postura da região estão próximas dos mercados consumidores, mas distantes dos grãos, principal insumo da ração dos animais.

"Os produtores precisam primeiro baratear o seu custo com transporte para os grãos que compram para criar suas aves. O Ceará, por exemplo, já está comprando [matéria-prima] do Piauí ao invés da Bahia. E Pernambuco já compra do Piauí. Isso reduz frete", conclui. Os grãos, como milho e soja, representam aproximadamente 70% do custo de produção do segmento avícola.

Embora exista potencial para a produção avícola crescer no Nordeste, isso não significa que a região Centro-Sul, que é bastante competitiva, perderá participação no total, diz Rands. Uma saída, segundo ele, é apostar nas exportações.

"O Nordeste tem hoje 30% da população brasileira, mas somente 8% da produção nacional de carne de frango e ovos. O potencial é para até quadruplicar essa produção", afirma Edival Veras, presidente da Avipe. "Hoje já temos empresários que estariam preparados para essa capacidade de produção. Precisamos agora de melhoria na logística local.", conta o jornal. 
 
 
Fonte: Valor Econômico