Francisco Victer, presidente da União Nacional da Indústria da Carne – UNIEC publicou carta enviada ao Presidente da ACRIMAT, José João Bernardes, com a posição da entidade sobre a concentração de frigoríficos, manifestada nesta segunda-feira, 09/07, durante o 2º Encontro Nacional da Pecuária de Corte, em Cuiabá – MT. Leia na íntegra:
 
“Prezados Senhores,
 
A indústria da carne, tradicional parceira do pecuarista brasileiro, aqui representada pela União Nacional da Indústria da Carne – UNIEC, reconhece a grande importância da Frente Nacional da Pecuária – FENAPEC como um espaço democrático para a discussão dos problemas e proposição de medidas que venham fortalecer a cadeia agroindustrial da pecuária.
 
A indústria da carne compreende a preocupação dos pecuaristas com relação ao movimento de alguns agentes do mercado, na direção da aquisição, arrendamento e locação de plantas frigoríficas, paradas ou em funcionamento, sugerindo a concentração dos abates de bovinos por parte desses agentes.
 
Tal qual o pecuarista, a indústria da carne, em geral, também se ressente dessa possibilidade e prima pela igualdade de condições e pela livre concorrência.
 
Entretanto, analisando caso a caso e de maneira ampla, até o momento, a indústria da carne não percebe a ocorrência de concentração e, sim, um processo de acomodação e ajuste positivo do mercado.
 
Para essa análise a indústria da carne leva em consideração que:
 
1) O mercado de compra de bovinos para efeito de cálculo de participação é nacional e não regional, podendo inclusive ser global se levarmos em conta os dados de exportação e importação de carne e gado;
 
2) Todo o quantitativo dos abates deve ser computado para o cálculo do percentual de mercado, independentemente se o abatedouro é de inspeção municipal, estadual, federal ou clandestino; e
 
3) Não há forma de controle de preços nem pelos pecuaristas e nem pelos frigoríficos.
 
É fato, também, que nos últimos 20 anos, vivemos uma verdadeira revolução na pecuária brasileira com o crescimento do rebanho bovino e a expansão do parque industrial frigorífico, especialmente rumo ao Centro-Oeste e Norte do Brasil.
 
Nesse período de estabilidade econômica, a melhoria da renda provocou um aumento considerável do consumo interno de carnes que, somado à conquista do mercado externo, causaram uma valorização do produto (boi e carne) jamais visto.
 
Ocorre que essa valorização tem demandado uma maior qualificação do produto e isto fez o Brasil adotar a internacionalização dos negócios como estratégia de consolidação da nossa participação no mercado externo e fortalecimento do mercado interno.
 
Ao mesmo tempo, as demandas tradicionais e as novas exigências sobre a atividade têm causado a elevação dos custos e dos preços e a perda da nossa competitividade.
 
Como consequência geral, o fechamento e a ociosidade de indústrias, junto com a estabilização do rebanho, dos preços e do consumo, bem como, um leve declínio no volume das exportações, formam este cenário atual que requer muito diálogo e cooperação entre os elos da cadeia para a realização dos ajustes que permitam a retomada do crescimento.
 
Nessa linha é que a indústria da carne concorda com a proteção incondicional da rentabilidade do setor e conclama os pecuaristas para um profundo estudo sobre a elevação dos custos de produção e outros fatores que tem ameaçado a estabilidade dos negócios de toda a cadeia produtiva da pecuária.
 
Para tal a UNIEC solicita que seja analisado seu ingresso entre as entidades membros do FENAPEC, a fim de melhor se prontificar ao debate e a busca de soluções.
 
Atenciosamente,
 
Francisco Victer
 
Presidente da UNIEC”
 
Fonte: UNIEC, adaptada pela Equipe BeefPoint.