Ao completar um ano de embargo da Rússia à importação de carne suína, o Rio Grande do Sul contabiliza a redução total de 16% do volume exportado e cerca de 20% do faturamento. Na comparação dos cinco primeiros meses deste ano com igual período de 2011, houve queda de R$ 67,4 milhões nas vendas. Quase 70% da produção suína do Estado abastecia o mercado russo, o que forçou os produtores a buscar novos compradores.

Na lista de alternativas para a exportação da carne suína do RS, destaca-se a Ucrânia. Conforme dados do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, as vendas à Ucrânia em abril deste ano cresceram 607% em quantidade (por quilo), mas o preço médio teve redução de 13%.

"O quilo do suíno está sendo vendido por cerca de R$ 1,80 no Estado, e o custo é de R$ 2,60. Precisamos controlar a oferta nacional antes de criar expectativas de buscar novos mercados internacionais", diz o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Luis Folador.

Apesar de o Ministério da Agricultura alertar que técnicos russos devem vir ao Brasil, no próximo mês, para reavaliar a situação de embargo no Estado, o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, aponta a necessidade de pensar em alternativas. Kerber aponta, ainda, que no mercado nacional a carne gaúcha também acaba sendo prejudicada, restando poucas opções de venda.

"O Estado está longe dos principais centros consumidores de suínos, como São Paulo e Rio de Janeiro, e mais distante ainda daqueles que produzem pouco e poderiam consumir o nosso (produto), como Norte e Nordeste", explica.

Representantes de produtores se reuniram nesta semana com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, destacou a necessidade de prorrogação dos vencimentos das dívidas de custeio e investimento dos suinocultores, o aumento dos limites de crédito para retenção de matrizes para o valor de R$ 500 por matriz, até o limite de R$ 2 milhões por produtor, e a inclusão da carne suína na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

"Há 18 meses os suinocultores estão arcando com prejuízos", afirma Lopes.
Fonte: Avicultura Industrial