Ainda que possa afetar “um pouco” os exportadores de carnes do Brasil, o acordo de liberalização comercial entre os 12 países da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) não deve ser visto como uma “grande questão” para os frigoríficos brasileiros, avaliou hoje o Bank of America Merrill Lynch (BofA), em relatório.
No relatório, os analistas do BofA também argumentaram que a forte queda das ações dos frigoríficos brasileiros nesta quarta­-feira não está relacionada ao TPP, ainda que muitos investidores tenham questionado a área de investimentos do banco. Para o BofA, é mais provável que a queda das ações dos frigoríficos na BM&FBovespa esteja relacionada à recente apreciação do real. Às 16h30, as ações da JBS caíam 3,09%; as da BRF, 4,05%; as da Marfrig, 3,01%. Na contramão, a Minerva Foods operava com alta de 0,98%.
Na avaliação do banco, o acordo do TPP anunciado na segunda-­feira é de fato positivo para os produtores de carnes dos EUA e Austrália. No entanto, o setor de proteína animal do Brasil provavelmente seguirá “altamente” competitivo do ponto de vista de custos, argumentou o BofA. Além disso, o banco ressalta que o Brasil é um dos únicos países que pode continuar aumentando a produção de carnes para abastecer o mundo.
A favor do Brasil, também está o fato de a China não fazer parte do acordo. “A China provavelmente será o mercado mais relevante para todas as proteínas na próxima década”, avaliou o BofA. Além disso, a maior parte dos países importadores das carnes brasileiras também não integra o TPP, o que limita seu impacto potencial, defendeu.
A despeito desse impacto limitado, o mercado de carne de frango do Japão, um dos signatários do TPP, representa um “risco­chave” para os frigoríficos brasileiros, de acordo com o BofA. Atualmente, 73% da carne de frango importada pelo Japão é produzida no Brasil. Do outro lado, os japoneses representam 11% das exportações brasileiras. Na avaliação dos analistas do BofA, os EUA poderiam aumentar as vendas para o Japão.
No caso da carne bovina, os impactos do TPP para os frigoríficos devem ser mais limitados, reforçou o banco. Principal importadores do produto brasileiro, Rússia, Venezuela, Hong Kong e Egito não fazem parte do acordo comercial, apontou o BofA.
Entre os frigoríficos brasileiros, a JBS pode ser beneficiada, acrescentou o banco. Atualmente, a divisão JBS USA, que inclui os negócios da empresa na Austrália, EUA e Canadá — três países que fazem parte do TPP —, responde por 72% do faturamento da JBS.
 
Fonte: Valor Econômico