A cadeia produtiva da carne – especialmente a de aves e de suínos – representa um importantíssimo segmento da economia brasileira, em especial a catarinense, em termos de produção sustentável de riquezas, geração de empregos e contribuição tributária. Estado e sociedade se beneficiam da avicultura industrial e da suinocultura industrial.
O conceito é formulado pelo presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e também do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC (SINDICARNE), Clever Pirola Ávila, ao destacar os benefícios que as agroindústrias proporcionam, protegendo o meio-ambiente num momento em que tornou-se lugar comum atacar a indústria de processamento de carnes no Brasil.           
 
Em que fatos o Sr baseia sua afirmação de que as indústrias da carne são sustentáveis, ecológicas e humanas?
 
Clever Pirola Ávila – As cadeias produtivas da carne são extremamente avançadas, respeitam e protegem os recursos naturais. A produção a campo é de alta sustentabilidade e obedece a todos os preceitos da legislação ambiental. A produção pelo sistema de integração assegura estabilidade à família rural. As unidades de abate e processamento de aves e suínos operam com sistemas de tratamento de efluentes e não geram resíduos contaminantes. Os trabalhadores das indústrias da carne, de todos os setores, trabalham em condições adequadas, gozam de amplo plano de benefícios e recebem remuneração compatível. A tecnologia empregada nas empresas catarinenses é a mesma das indústrias de processamento de carne dos países mais avançados.
 
A legislação ambiental é integralmente respeitada pelas indústrias de carne suína e de aves para evitar danos ao ambiente durante o processo de produção?
 
Clever Ávila – Aplicamos integralmente a Resolução do CONAMA Número 357, o qual define parâmetros ambientais para a Indústria.
 
As indústrias limitam-se a cumprir a legislação ou vão além. Com programas para reaproveitamento da água e redução do uso de energia?
 
Clever Ávila – Realmente existem iniciativas que vão além da legislação ambiental pertinente. São sistemas adicionais os quais potabilizam a água novamente para reuso em ambientes específicos. O tratamento é feito com processos biológicos e físico-químicos. Também é possível utilizar os resíduos orgânicos, converte-los em biogás (metano) para posterior transformação em energia térmica e/ou elétrica.
 
Como são tratados e destinados os insumos menos nobres da matéria-prima cárnica aproveitada no processamento industrial?
 
Clever Ávila – Nossa indústria trabalha com produtos, co-produtos e subprodutos. Todos eles possuem utilidade no processo produtivo e tem o seu valor comercial relativo, ou seja, procuramos aproveitar tudo o que é gerado na produção. Os músculos são convertidos em cortes nobres e especiais com e sem ossos e podem ainda, adicionalmente, receberem condimentos especiais para se tornarem produtos pré-preparados temperados e/ou ainda receberam processos adicionais para se tornarem produtos industrializados, como pratos prontos, termoprocessados, linguiças, salsichas, mortadelas, salames, presuntos, empanados, etc. Além disso, ,aproveita-se pele, gordura e recortes para industrializações específicas. Os miúdos são comercializados na forma refrigerada ou congelados, como língua, fígado, moela, rins, coração etc. Existem ainda os chamados opoterápicos, que são usados para fins medicinais. Alguns subprodutos como sangue, pelos, penas, vísceras, etc. são convertidos em farinhas e óleos de origem animal. Todos os produtos podem ser comercializados no mercado brasileiro e/ou exportados. Os resíduos orgânicos restantes, podem ser convertidos em biogás e sequencialmente em energia. 
A sustentabilidade tornou-se um caminho sem volta para as indústrias em favor de uma gestão mais responsável, ou ainda há muito marketing?
 
Clever Ávila – A agroindústria já incorporou os aspectos de sustentabilidade e caminha muito próximo a comunidade local, onde estão situadas. Cada vez mais a sociedade está alerta para a gestão responsável e nos cobra ações sustentáveis. Os chamados “stakeholders” – sociedade, acionistas, investidores, fornecedores, clientes, consumidores, ONGs, Universidades – participam de forma ativa e influenciam diretamente a gestão da cadeia produtiva.
 
O que falta para que as práticas sustentáveis permeiem todos os processos da cadeia produtiva de suínos e aves?
 
Clever Ávila – Na realidade o setor por si próprio tem aspectos importantes de sustentabilidade. Basta analisar o índice de desenvolvimento humano (IDH) nos municípios que possuem agroindústria e sistemas de integração. São superiores a média brasileira. O sistema oportuniza que empresários rurais de todos os portes, possam exercer sua vocação, agregando valor a cadeia produtiva, convertendo a proteína vegetal em proteína animal. A agroindústria traz tecnologias de ponta – desde a genética, alimentação animal e assistência técnica, colaborando com uma produção cada vez mais sustentável, ou seja, maximizando os recursos usados e produzindo cada vez mais. Na parte ambiental apoiamos a cadeia produtiva na busca de soluções inteligentes, visando o cumprimento da legislação. A sustentabilidade é uma jornada sem volta e sempre há espaço para a introdução de  melhorias.
 
Fonte: Avi Cultura Industrial