Poucos valores simbolizam tanto o início do século 21 como a sustentabilidade. Estudos sobre a importância da gestão sustentável revelam que ela não deve ser prioridade apenas para os governantes públicos. A sociedade inteira precisa rever práticas de produção e de consumo, visando ao legado que quer deixar para as próximas gerações. As empresas são peça fundamental no processo de mudança. A longevidade delas, diante de um mercado consumidor cada vez mais exigente e consciente, está irremediavelmente relacionada à capacidade de se aperfeiçoarem para atender as demandas do mundo contemporâneo.

Os pequenos negócios são a base da economia do Brasil — representam 99% das empresas do país e respondem por mais da metade das vagas formais de emprego — e não poderiam ficar alheios à agenda da sustentabilidade. Há mais de 40 anos, o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) atua para aumentar a competitividade dos empreendimentos e um dos fatores de ganho de competitividade, sem dúvida, são as práticas sustentáveis. 

O desenvolvimento sustentável nos negócios se baseia em três eixos: ambiental, econômico e social. Já existem bons exemplos de ações sustentáveis nos pequenos negócios, mas o desafio é organizar a agenda, aproximar os empreendedores das tecnologias disponíveis dos sistemas de financiamento e das melhores práticas de sustentabilidade.

Com esse objetivo, em 2011 criamos o Centro Sebrae de Sustentabilidade, sediado em Cuiabá (MT), responsável pela geração e disseminação de conhecimento e cultura sobre o tema para nossas mais de 700 unidades de atendimento no país. Dois temas são prioritários para nortear a atuação do Centro e do Sistema Sebrae no campo da sustentabilidade: gestão de resíduos e eficiência energética. 

Precisamos incentivar a criação de “empresas verdes”, planejadas para práticas sustentáveis nos menores detalhes, mas os pequenos negócios existentes podem — e devem — se adaptar a esse conceito. É possível adotar medidas simples que impactam tanto na preservação do meio ambiente quanto no bolso dos empresários, com a redução de custos. O investimento adicional que pode resultar da troca de um equipamento elétrico antigo por outro que reduza o consumo de energia seguramente será revertido em economia para o negócio em pouco tempo.

Decisões voltadas para práticas sustentáveis atendem demandas do mercado em termos de inovação e produtividade. Por exemplo, instalar a geladeira em local ventilado, protegida dos raios solares, fogão e outros equipamentos que produzam calor; reduzir número de impressões e trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes são ações viáveis independentemente do tamanho da empresa. 

Esse tema é tão importante que o Sebrae incluiu a sustentabilidade como um dos eixos principais da Feira do Empreendedor de 2013, eventos gratuitos que oferecem capacitação e oportunidades de negócios. Ações sustentáveis que geram lucros estarão presentes nas edições da Feira no Distrito Federal, Mato Grosso, Amazonas e Bahia, por exemplo. 

Hoje, práticas de desenvolvimento sustentável podem até ser consideradas um nicho voltado a consumidores mais antenados, mas amanhã serão padrão exigido por todo o mercado. Quando o Sebrae ouve empresários sobre sustentabilidade nos pequenos negócios, verificamos que eles já entendem que a questão ambiental representa oportunidade de ganhos. Além disso, conhecem empresas que preservam o meio ambiente, ou seja, sabem que seu concorrente já tem prática sustentável. E não querem — nem podem, para o bem do negócio —  ignorar a tendência. 
No Brasil, avanço importante foi uma decisão do governo federal, no ano passado, pela preferência por produtos sustentáveis nas compras governamentais. Para um produto ser considerado sustentável, são levados em conta critérios como a preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local e maior eficiência na utilização de recursos naturais. 

No atual panorama de negócios, a sustentabilidade é grande diferencial competitivo. Os pequenos negócios já respondem pelo equivalente a R$ 15 bilhões das compras feitas pelo governo federal, o que representa 30% de participação do segmento nas compras governamentais. 

Nas compras sustentáveis do governo federal, a participação dos pequenos negócios é mais expressiva. Em 2012, dos quase R$ 40 milhões gastos pelo governo federal em compras sustentáveis, 57% do valor foi abocanhado pelas micro e pequenas empresas. Quem ainda não se engajou nesse caminho está perdendo uma grande oportunidade de aumentar o faturamento. 

Sustentabilidade, portanto, não é filosofia, muito menos moda passageira. Os consumidores estão cada vez mais exigentes e dão preferência a marcas e produtos obtidos a partir de processos com menor impacto ambiental e que geram ganhos sociais e econômicos. A sustentabilidade amplia as perspectivas de aumentar o faturamento. Eis um caminho que interessa não só às empresas e à sociedade brasileira, mas ao planeta. 
 
Fonte: Correio Braziliense, Página 17