O baixo preço do suíno, aliado ao alto custo de produção, está levando produtores de Santa Catarina a abandonarem a atividade exercida há décadas. A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) estima que 240 suinocultores desistiram do setor este ano.

Um dos produtores que está abandonando a suinocultura é Lino Mayer, morador da linha Santa Fé Baixa, em Itapiranga. Mayer lembra que o preço por quilo caiu de
R$ 2,40 no ano passado para os atuais R$ 1,90, o que não cobre os custos de produção. De acordo com cálculos da ACCS, hoje o custo de produção de um suíno é de R$ 2,65 por quilo.

Mayer já reduziu o plantel de fêmeas pela metade, de 160 para 80. Ele é dono das matrizes e, até agosto ou setembro, pretende terminar com a criação. Com a venda dos suínos, vai comprar mais vacas e dobrar a produção de leite. Ele diz que, nos últimos anos, só conseguiu manter o capital que tinha, sem nenhuma sobra.

Além da crise, outro fator que o fez desistir é a necessidade de reforma e ampliação do chiqueiro. A agroindústria da qual é integrado solicitou que ele dobrasse a produção, o que geraria um investimento de R$ 300 mil. Mayer acha que não vale a pena.

O presidente da ACCS, Losivânio de Lorenzi, diz que, nos últimos anos, as crises vem sendo frequentes e com poucos meses bons, o que acabou descapitalizando os produtores. No início deste ano, houve uma retração no consumo. E as restrições na venda para a Argentina e o aumento do custo de produção agravaram a situação. Outro problema citado foi ou aumento de produção de outros estados. Tudo isso gerou um excedente de carne suína no mercado que derrubou o preço.

– O produtor não tem mais perspectiva – afirma, citando que entre  25% e 30% dos 800 suinocultores independentes desistiram ou estão desistindo da atividade.

Lorenzi afirma que mercados como China, Japão e EUA ainda não efetivaram as compras, o que deixa os produtores apreensivos. Na sexta-feira passada, o governo do Estado anunciou uma medida que foi a isenção de ICMS interestadual para leitões até 30 quilos.

A crise na suinocultura é cíclica e atinge mais os produtores independentes, avalia o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne), Ricardo Gouvêa. Ele afirma que o momento é de retração de consumo no mercado interno, o que afeta todos os setores.

Ele lembra que o Estado está habilitado para vender para os Estados Unidos e falta apenas uma documentação de requisitos técnicos ser aprovada. A partir disso, ele também acredita que podem começar as vendas para o Japão.

Outro mercado que estaria próximo de comprar de SC é o da Coreia do Sul. Além disso, a Argentina prometeu retomar as compras.

O presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, também está otimista. Mas não para os produtores independentes. Ele considera que esse setor arca com custos muito altos, que a indústria consegue diluir com a agregação de valor.

Barbieri também espera que o início das vendas para o Japão ocorra até o final do ano.

– Infelizmente, muitos produtores vão abandonar o setor, mas há boa perspectiva para quem continuar, dentro do sistema de integração – conclui.
Fonte: Rural BR