A oferta de suínos iniciou em alta no primeiro mês de 2016, ao mesmo tempo que a demanda doméstica não está reagindo na mesma intensidade, cenário típico de um início de ano, mas também influenciado pelas projeções de piora na economia nacional. Por outro lado, o forte aumento dos preços da carne bovina tem aberto espaço para a carne suína no cardápio dos consumidores domésticos, que registrou em 2015 o maior consumo per capita da história. Nesse sentido é muito provável que a suinocultura brasileira venha a ter um bom desempenho em 2016 influenciado também em grande parte pelas exportações. A desvalorização de real frente ao dólar norte-americano traz forte competitividade para o produto brasileiro. Estimativas do Banco Central apontam para uma paridade dólar/real acima de US$ 1,00 para R$ 4,00.
No mercado interno os preços do suíno vivo estão no momento fragilizados em virtude da elevada oferta que não está sendo absorvida sem pressões baixistas sobre os preços. Neste mês de janeiro o consumo interno se mantém abaixo do esperado, no entanto as expectativas para o ano parecem ser promissoras.
As perspectivas para economia brasileira trazem grandes incertezas em relação ao aumento do consumo das famílias brasileiras, que pela primeira vez em uma década tiveram queda na renda mensal, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por esse motivo pouco se acredita na recuperação da demanda no curto prazo.
Por outro lado, dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que o consumo per capita de carne suína em 2015 pela primeira vez na história ultrapassou os 15 kg, o que desenha uma tendência de maior inserção da carne suína na dieta dos brasileiros, o que é atribuído, em grande parte também aos preços elevados da carne bovina.
O fator que gera mais otimismo para o setor, entretanto, é o esperado desempenho das exportações, que já em 2015 cresceram quase 10% na comparação com 2014 segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior e Informa Economics FNP. 
Os principais compradores da carne suína brasileira foram Rússia e Hong Kong. A Rússia, destino de 44,6% das exportações brasileiras, vive um momento de necessidade de importação de carne suína devido às últimas quebras na safra de grãos, que afetou negativamente a atividade suinícola naquele país e ampliou a necessidade de importação de carne suína. A relação entre Brasil e o país se apresenta estável com acordos comerciais firmados desde 2014 o que favorece as boas perspectivas em relação a esse mercado no médio prazo. 
Dentre os países que mais aumentaram as compras pelo produto brasileiro estão a Venezuela, destino de 9,9 mil toneladas de carne suína do Brasil, número 143% superior ao obtido em 2014. E a China, que habilitou recentemente mais duas plantas frigoríficas brasileiras. Para lá, foram embarcadas 5,2 mil toneladas no ano passado, 520% a mais que no ano anterior, informou o vice-presidente de suínos da ABPA, Rui Eduardo Saldanha Vargas, em nota para imprensa 
Paralelamente, o setor segue de olho em novos compradores e na ampliação dos mercados já existentes. A grande aposta neste sentido é a China. O setor também tem boas expectativas quanto à abertura do mercado da Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, somadas aos fortes negócios que já mantemos com o Leste Europeu e mercados da Ásia, da América do Sul e da África, conforme divulgado pela ABPA.
Para 2016 espera-se um desempenho 3% melhor nas exportações na comparação com 2015, chegando a um volume de 580 mil toneladas em equivalente-carcaça, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. 
Se por um lado o suinocultor brasileiro enxerga a possibilidade de melhora de preços, puxada principalmente pelas vendas externas, por outro não pode esquecer do aumento dos custos de produção, que estão diminuindo o poder real de compra do produtor. O milho e farelo de soja correspondem a 70% do custo total ração animal. 
 
Fonte: Informa Economics FNP, por Zenaide Peres