Os segmentos de aves e suínos devem registrar crescimento vegetativo neste ano, entre 2% a 3%, por causa dos reflexos da forte crise enfrentada no ano passado com a alta de preços dos grãos. A previsão é do presidente da Câmara Setorial de Aves e Suínos, vinculada ao Ministério da Agricultura, Erico Pozzer. O impacto será maior na produção de aves, que apenas irá recuperar parte da queda de 3% registrada no ano passado. Nos cinco anos anteriores, a avicultura havia crescido em média 6,1% ao ano.
 
Érico Pozzer afirmou que, apesar de os preços do milho e da soja ainda estarem em patamares altos, no primeiro bimestre do ano, os segmentos de aves e suínos conseguiram trabalhar com margens positivas, devido ao enxugamento de 10% na oferta em relação ao segundo semestre do ano passado. O alojamento das matrizes, que vão gerar a oferta de pintinhos, recuou entre 12 e 15%.
 
Segundo o dirigente, o setor ainda não se recuperou do "circo dos horrores" que foi o segundo semestre de 2012, quando os preços do milho e da soja dispararam, impulsionados pela quebra da safra norte-americana. Ele lembra que os grandes grupos conseguiram enfrentar a crise porque estavam mais estruturados e contaram com a ajuda dos bancos oficiais, mas os pequenos e médios abatedouros tiveram prejuízos e ficaram sem capital de giro, o que dificulta a retomada dos investimentos.
 
Pozzer afirmou que, entre os médios abatedouros, que também trabalham no sistema de integração com os criadores, oito empresas fecharam as portas, sendo três em São Paulo. Ele afirmou que a situação do setor ainda não é confortável, porque os preços do farelo de soja seguem acima da média histórica de R$ 600,00/tonelada, apesar de terem recuado de R$ 1.400,00 para R$ 850,00 a tonelada. No caso do milho, que é o principal insumo, as empresas pagam atualmente entre R$ 32,00 e R$ 33,00/saca, base Campinas (SP), enquanto a média histórica para esta época do ano é de R$ 23,00 a R$ 25,00/saca.
 
O presidente da câmara setorial observa que os indicadores não são animadores em termos de demanda, pois, no cenário externo, "a China continua sendo uma eterna promessa", enquanto na Europa houve redução do consumo por causa da crise econômica. A esperança é o mercado japonês, que compra produtos de maior valor agregado. As exportações para o Oriente Médio e países emergentes são de produtos de menor valor agregado.
 
Mercado de grãos
 
As perspectivas para o mercado de grãos são otimistas, em razão da boa colheita das safras de verão de soja e milho, e da expectativa de aumento da área de milho safrinha. Entretanto, ele menciona que é preciso torcer para que não haja problemas na safra norte-americana como ocorreu no ano passado, quando em 15 dias no mês de julho o preço do milho dobrou no mercado brasileiro.
 
Pozzer elogiou a criação do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) e disse esperar que não se repitam os problemas do ano passado, quando o governo perdeu a oportunidade de comprar milho em abril/maio para recompor os estoques, ocasião em que os preços estavam mais baixos. Hoje os estoques oficiais de milho estão praticamente zerados. Ele calcula que, para evitar problemas de abastecimento, o governo deveria ter estoques de pelo menos 6 milhões de toneladas. O consumo nacional de milho é estimado em quatro milhões de toneladas por mês.
 
Fonte: Avicultura Industrial