"Se continuar nessa cadência, a greve dos fiscais da Anvisa e do Mapa (Ministério da Agricultura) pode gerar um caos logístico”, afirma o diretor executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar),José Roque.
 
 
Segundo ele, o maior problema, agora, não está na libera- cão dos navios, mas no número de contêineres retidos nos terminais, prejudicando a ocupação física (espaços) para armazenagem no Porto de Santos.
 
“Há prejuízo para o importador, que tem custos com armazenagem e estadia dos equipamentos, e reflexos ainda maiores na exportação, pois, com os contêineres parados, podem faltar (caixas metálicas) para exportação. Isso gera impacto na balança comercial”, diz Roque. Ele comenta que alguns terminais já estão utilizando a retroárea, “mas, uma hora, ela Também vai ficar sem espaço”.
 
A quantidade excessiva de cofres parados nos terminais está relacionada à demora para inspeção das mercadorias pela Anvisa e pelo Mapa.As greves dos fiscais desses órgãos começaram, respectivamente, em 16 de julho e no dia 6 deste mês.
 
Apesar de determinações judiciais para que voltassem à ativa,ainda há morosidade, até mesmo em consequência do tempo em que os agentes ficaram totalmente paralisados.
 
OPERAÇÃO PADRÃO
 
Outro empecilho à liberação das cargas é a operação padrão da Receita Federal, que ocorre duas vezes por semana.“Produtos que eram desembaraçados em até três dias estão levando de dez a 12 dias. Isso para as mercadorias que caem nos canais (de inspeção) amarelo (exame documental) e vermelho (de papéis e verificação física da carga)”, destaca o diretor do Sindamar.
 
Ontem, dos 80 navios que esperavam na Barra para atracar no Porto, 61 eram de graneis sólidos,produtos que sempre são encaminhados para esses canais de fiscalização. Diante do cenário, os cargueiros também acabam sendo prejudicados e esperam mais tempo para parar nos terminais.
 
SEM ESPAÇO
 
De acordo com José Roque, a falta de espaço nas instalações faz com que as embarcações não possam descarregar novos produtos. “O prejuízo se estende também para as fábricas, que não recebemos produtos enquanto não são liberados. A principal carga de inspeção pelo Mapa no Porto, por exemplo, é a madeira”,aponta.
 
O índice ideal de ocupação no Porto é entre 65% e 70%, diz o dirigente do Sindamar. Quando chega a 85%, pode gerar prejuízos. “Esperamos que a situação de colapso não ocorra. O normal é para cada contêiner entrando, um saindo. O problema é quando tem quatro entrando e um saindo”, observa.
 
Fonte: ABTTC – Associação Brasileira dos Terminais Reportuários e das Empresas Transportadoras de