A Rússia elevou as compras de carne suína brasileira em cerca de 40 mil toneladas nos primeiros oito meses de 2015 e já é reponsável por 50% dos embarques do produto brasileiro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 
Sanções econômicas norte-americanas e europeias em relação à Rússia, devido à crise na Crimeia, colaboraram para que o governo de Moscou buscasse aumentar as compras de outros mercados, inclusive do Brasil, segundo o Boletim Ativos da Suinocultura apresentado por Cepea e CNA na sexta-feira (16). 
“A expectativa é que as vendas aos russos sigam aquecidas ao longo do segundo semestre, tendo em vista que as sanções devem permanecer ao menos até o início de 2016”, avalia o estudo preparado pelo professor Sergio De Zen, Camila Brito Ortelan, Marcos Debatin Iguma e pela Equipe Suínos/Cepea. 
“Apesar do cenário momentaneamente positivo para as exportações brasileiras de carnes aos russos, vale ressaltar que o governo daquele país vem tomando medidas de autossuficiência na produção de carnes, o que pode, no longo prazo, influenciar significativamente as vendas nacionais”, completou a análise. 
As exportações totais de carne suína brasileira começaram a se recuperar em junho, quando atingiram o maior valor já exportado em um mês desde 2012. Grande parte dessa recuperação deve-se à Rússia, já que outros mercados continuaram retraídos nas compras. 
 
Angola, por exemplo, foi o país que mais reduziu as compras da carne brasileira de janeiro a agosto, em 24 mil toneladas, na comparação anual, segundo o Cepea/CNA. 
O Japão é apontado como um mercado com grande potencial de crescimento nos próximos anos. O país é responsável por 21% das importações mundiais de carne suína e, segundo o estudo, as compras japonesas do produto brasileiro vêm crescendo desde a abertura de mercado em 2013, apesar de apresentarem queda de 18% em 2015. 
 
China e Coreia do Sul são outros mercados apontados como potenciais focos de crescimento para as vendas externas de carne suína brasileira nos proximos anos. 
 
 
Fonte: Carnetec