No dia 24 de maio, a OIE anunciou o status de “risco insignificante” para o Brasil da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), mas conhecida como doença da “vaca louca”. O Brasil conquistou por unanimidade esse status durante a durante a 80ª Sessão Geral da Assembléia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, sigla em inglês), em Paris.
No balanço realizado na última semana pelo diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Sr. Guilherme Marques sobre a assembleia realizada pela OIE, foram divulgados dados e números dos investimentos do governo federal para manter o país longe da doença.
Segundo o Sr. Guilherme Marques (foto 1), o setor de reciclagem animal teve grande contribuição para que o risco da doença estivesse longe do alcance dos rebanhos brasileiros através de investimentos do setor e do governo federal em tecnologia, e também com a precaução e atenção das empresas na fabricação desses produtos. “Nós adotamos a medida de esterilização da farinha de carne e ossos. Isso deu um fortalecimento no processo pelo fato de que o Brasil, mesmo não tendo nenhum caso de EEB registrado, tomou medidas para não ter, então foi uma medida de prevenção”.
O status abre as portas de exportação dos produtos brasileiros para o mercado estrangeiro, que além do aumento de exportação da carne, irá gerar ganhos com a venda de tripas para a Europa, o que pode gerar uma receita de US$ 100 milhões para os nossos frigoríficos.
O novo status pode beneficiar também as exportações para os coprodutos de origem animal, como por exemplo, as farinhas e as gorduras. Para o vice-presidente da Associação Latino Americana de Plantas de Rendimento – ALAPR, Alexandre Ferreira (foto 2), a medida é positiva para o mercado e pode abrir portas para algumas indústrias. “No caso dos co produtos animais, como é o caso das farinhas e gorduras de origem animal, a medida é positiva, pois reduz a percepção de risco em relação a estes produtos como ingredientes para diferentes cadeias. Sempre há casos de nichos específicos de mercado que podem trazer boas oportunidades de maneira localizada, como por exemplo , sebo clareado de baixíssima acidez para o mercado de cosméticos ou algum ingrediente específico para a indústria farmacêutica ou de Pet food”.
Com o reconhecimento, o Brasil terá o desafio de manter o status. O Sr. Guilherme Marques considerou ainda que a responsabilidade do país aumenta por ter agora maior visibilidade mundial sobre a prevenção brasileira com a doença. “Serão mantidas as medidas de mitigação e risco, mesmo tendo risco inegligenciável, é importante mostrar que o sistema tem medidas de controle para evitar eventuais aparecimentos de um caso típico ou atípico de ‘vaca louca’”. Diz.
O Brasil nunca registrou nenhum caso de vaca, pois além de ter ser a maioria de seu rebanho criado a pasto, ainda segue medidas internacionais de vigilância para minimizar os riscos. Com a mudança, o país passa a fazer parte de um grupo seleto de 19 países que estão fora de risco de focos da doença em um grupo de 178 países que integram a OIE.