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Você já parou para pensar no destino certo para os resíduos do abate de animais ? O I Diagnóstico da Indústria de Reciclagem Animal elaborado pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA, mostra que em 2010 no Brasil, somente de bovinos e bubalinos foram abatidas 43 milhões de cabeças.
 
Do abate total de animais (bovinos, suínos, aves e peixes), cerca de 50% não é aproveitado para o consumo humano, o que gera um grande volume de resíduos. “Em 2011 foram mais de 12 milhões de toneladas de resíduos do abate animal processados pelas indústrias de reciclagem animal, gerando novos produtos, empregos e receitas” afirma Sr. Vinícius Oliveira, Secretário Executivo da ABRA.
 
Na semana passada foi descoberto um vazamento no frigorífico Nippo Bras, localizado no KM 10 das DF-230 em Planaltina que despejava resíduos sólidos e líquidos como sangue e vísceras de bovinos no Córrego Pipiripau. O frigorífico disse que o derramamento foi devido a um rompimento de uma das manilhas que continha os resíduos. A água do córrego abastece as cidades de Planaltina e Sobradinho.
 
O frigorífico foi multado pelo Instituto Brasília Ambiental – IBRAM em R$ 22 mil e para que a licença ambiental seja renovada quando estiver vencida, a planta terá que tomar novas medidas e apresentar um plano para que não ocorra mais derramamento dos resíduos no córrego em caso de um novo acidente.
 
Além do mau cheiro, o descarte incorreto desses resíduos causa contaminação no solo, e nos lençóis freáticos. Outro problema é que assim que essa matéria é jogada diretamente no meio ambiente, ela começa a entrar no processo de decomposição atraindo insetos e animais como roedores e urubus.
 
Segundo a assessoria de comunicação do Instituto Brasília ambiental – IBRAM, durante o processo de licenciamento de atividades potencialmente poluidoras, como é o caso dos frigoríficos, o instituto e a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do DF – Semarh solicitam aos empreendedores um Plano de Controle Ambiental – PCA. Não é permitido o lançamento de resíduos a céu aberto e nem em mananciais hídricos.
 
Solução sustentável
 
As indústrias de Reciclagem animal coletam esses resíduos logo após o abate para que sejam processados e transformados em novos produtos. Atualmente é certo afirmar que a ausência do setor de reciclagem de resíduos de origem animal, inviabilizaria toda a cadeia de produção industrial de carnes.
 
O setor vê esses resíduos como matérias-primas, sendo processada e usada na produção de farinha de carne e ossos, farinha de sangue, farinha de vísceras, farinha de penas e as gorduras de origem animal, como o sebo e outros.
 
O presidente da ABRA, Sr. Clênio Gonçalves considera o setor como um dos mais sustentáveis, “O nosso setor é tão sustentável que em algumas indústrias, até a água utilizada no processo é reaproveitada depois de tratada. Esse é um setor totalmente comprometido com o meio ambiente”.
 
O I Diagnóstico da Indústria de Reciclagem Animal mostra que 84% das farinhas de origem animal são usados como ingrediente de ração na produção animal, 14% é destinada para a fabricação de produtos pet food e outros 2% são exportados.
 
Já as gorduras de origem animal, tem um percentual de 40,73 que são destinadas para a saboaria, 34,34% produção animal, 17,26% para o biodiesel, 3,09% para Pet Food e 4,57% na produção de outros produtos.
 
Para o IBRAM, a Reciclagem Animal é uma prática muito válida para conservação ambiental. “Toda e qualquer prática que contribua para a conservação ambiental é extremamente valorizada na busca por soluções adequadas” garante a assessoria técnica do IBRAM.

 
Reciclagem Animal no nosso dia a dia
 

Hoje podemos dizer que em algum momento do dia nós usamos algum produto que venha da reciclagem animal.
 
Para o Sr. Clênio Gonçalves a aplicação das farinhas e gorduras resultante da Reciclagem Animal em novos produtos é tão vasta que chega a ser imaginável. “Os nossos produtos estão presentes em muitos outros. Quando você faz uso de um cosmético, limpa a casa, alimenta o seu animal de estimação, faz uso de algum verniz, e até mesmo quando toma banho, você faz uso de produtos que é originado pela nossa indústria”.
 
Outra aplicação crescente é do sebo para a produção de biodiesel. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, 14,41% dos biocombustíveis produzidos no Brasil é proveniente do sebo. Esse combustível tem sido uma alternativa ambientalmente correta, por proporcionar a redução da emissão dos gases do efeito estufa.