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A crise brasileira está reduzindo a expectativa de produtores rurais argentinos de que sua situação iria melhorar com o fim do governo de Cristina Kirchner, cujo mandato foi marcado por uma relação conturbada com o setor. Esse panorama ficou claro em encontro recente de empresários na sede da Sociedade Rural Argentina, no centro de Buenos Aires.
Em 12 meses, o dólar teve valorização de 72,15% em relação ao real, mas de só 11,41% frente ao peso argentino. Ninguém sabe ainda medir o alcance do aumento da concorrência brasileira em relação a produtos que a Argentina também exporta, mas já se sabe que a situação cambial agrava a deterioração das vendas argentinas. Além disso, desvalorizações das moedas de outros parceiros comerciais e concorrentes mundiais também preocupam a agropecuária do país, onde o câmbio pouco se alterou.
Além de se tornar um competidor ainda mais forte no mercado mundial, o Brasil também tende a importar menos produtos argentinos. Esse quadro afeta sobretudo as chamadas economias regionais. O Brasil é o destino de mais de 70% do que os argentinos exportam em farinha de trigo, cebolas, alho, azeitonas, malte e batatas congeladas.
Segundo Ezequiel de Freijo, do Instituto de Estudos Econômicos da Sociedade Rural, os grupos brasileiros que atuam na Argentina também passaram a ser mais competitivos em relação aos locais. Ele menciona que, no varejo, o quilo do presunto de marcas como Sadia já custa ao menos 35% menos do que tradicionais concorrentes locais. "O Brasil comprou empresas produtivas e nós ficamos com as velhas."
 
Valor Econômico