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Consumo interno deve reagir impulsionado pela demanda para comemorações de fim de ano, mas despesas de produção com alimentação dos animais foram as vilãs de 2016 para o setor
 
Santa Catarina, maior estado produtor de suínos do País, foi também um dos grandes afetados pela crise de escassez do milho, insumo da ração animal. Neste fim de ano, nem o tradicional avanço nas vendas da carne deve reverter o prejuízo médio do criador, que chegou a R$ 70 por animal.
"Acreditávamos que a recuperação [na demanda] viria em agosto, mas ela só está acontecendo agora", conta o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. Naquela região, o quilo da proteína superou os R$ 4 há apenas duas semanas. Até então, a remuneração ficava em R$ 3,60 – para cobrir custos de produção que bateram R$ 4,30 no auge da crise de insumos.
Para atender o plantel estático de 6,5 milhões de animais, das quais 400 mil fêmeas (matrizes), a cadeia consome em torno de 7 milhões de toneladas de milho e, neste ano, produziu a metade. Ou seja, "pelo menos 50% do que consumimos foi importado", acrescenta o representante do setor.
Agora, a suinocultura entra no mês de maior demanda anual e pode suspirar ligeiramente mais aliviada. A reação no consumo estará combinada à queda nos preços das commodities e melhora, também, nas vendas internacionais.
O vice-presidente técnico, especialista em suínos, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Eduardo Saldanha Vargas, comenta que a saca de 60 quilos de milho saiu dos R$ 60 para ser negociada entre R$ 35 e R$ 36 nas principais regiões produtivas da carne. Foi uma queda considerada "interessante", mas mesmo assim a entidade tem incentivado os associados a antecipar o fechamento dos negócios com os fornecedores de grãos, no intuito de evitar que o problema se replique.
"Nossa expectativa é que este ano não será como os outros fins de ano, mas bem melhor do que vinha o comércio interno. Temos a percepção que todo mundo deixou para fazer suas compras na época em que realmente necessita", avalia Vargas, sobre a estimativa de retomada nas vendas de suíno para as festas.
De fato, nesta última semana, o preço da carcaça no atacado paulista subiu 4,6% e fechou a terça-feira (29) negociada a R$ 6,57 por quilo à vista, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No animal vivo, o aumento foi de 4,5%, para R$ 4,28 por quilo (ao produtor). "Já houve uma reação, mas o volume de vendas ainda não tem muita liquidez", destaca a pesquisadora do instituto, Camila Ortelan. Isso significa que os frigoríficos já repassaram algum reajuste aos valores dos cortes e o setor espera aquecimento nas vendas.
No entanto, "mesmo que o consumo [mensal] venha mais forte, o prejuízo [do ano] não será recuperado", reforça Lorenzi, presidente da associação catarinense.
 
Mercado externo
As exportações de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) atingiram 614,5 mil toneladas entre janeiro e outubro, volume 38,1% superior ao alcançado no mesmo período do ano anterior, que foi de 444,9 mil toneladas, diz a ABPA. Com esta performance, as vendas geraram receita cambial de US$ 1,208 bilhão no período, resultado que supera em 13,4% o saldo obtido nos dez primeiros meses de 2015 (de US$ 1,065 bilhão).
Em uma análise preliminar, Vargas acredita que os embarques devem chegar a 700 mil toneladas no ano, embora os números oficiais sejam consolidados só na primeira quinzena de dezembro.
O faturamento tem se mostrado equilibrado, pois o que antes se ganhava com volumes excessivos, perdia em preços.
 
Fonte: DCI