A indústria de alimentação animal no Brasil deve fechar o ano com produção de 62 milhões de toneladas de ração e dois milhões de toneladas de sal mineral, além de movimento de R$ 47 bilhões para aquisição de insumos nacionais e importados, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). De janeiro a setembro deste ano, foram consumidas 46,6 milhões de toneladas de rações e 1,6 milhão de toneladas de sal mineral, de acordo com a entidade. Se a previsão for confirmada, o a produção será 3% menor do que a de 2011.

 
Por segmentos, o Sindirações calcula que a avicultura de corte brasileira totalizará o consumo de 30 milhões de toneladas de ração e a avicultura de postura comercial 5,2 milhões de toneladas em 2012.
 
No ano passado, a indústria de alimentação animal no Brasil havia produzido 64,5 milhões de toneladas de rações e mais 2,35 milhões de toneladas de sal mineral, um crescimento de 5,2% em relação a 2010.
 
"O setor engatou a marcha à ré já no primeiro trimestre de 2012 e o recuo tem se intensificado por causa da coexistência de três fatores: alto custo do farelo de soja e do milho, baixos preços pagos aos produtores e desaceleração no ritmo exportador das carnes", explica o vice-presidente executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani.
 
"A descapitalização de muitos produtores independentes vem reduzindo o rebanho de suínos ao longo do ano, além do alojamento de matrizes, pintinhos e o abate de aves, que perdeu fôlego nos últimos meses", completa.
 
A indústria produtora de frangos de corte e suínos, juntas, demandam mais de 70% das rações produzidas no Brasil e são formuladas com quase 90% da mistura de milho (subiu o preço em 40% nos primeiros 20 dias de julho por efeito da estiagem no cinturão produtor americano) e farelo de soja (mais que dobrou de preço de janeiro até agosto do corrente ano em razão da forte estiagem na Argentina e Brasil).
 
De acordo com Zani, é possível que no próximo ano a indústria de alimentação animal global e brasileira seja capaz de compensar a perda acumulada em 2012. Para isso, no entanto, será necessária a convergência de alguns fatores como a emergência da nova classe média brasileira e seu potencial de consumo, a recuperação dos empregos nos Estados Unidos, o redirecionamento dos investimentos para o mercado doméstico na China e a interrupção do caos econômico na União Europeia.
 
Projeção para 2020
 
Considerada as potencialidades da demanda doméstica e internacional por proteína animal, as projeções para 2020 revelam a oportunidade de produção brasileira de cerca de 40 milhões de toneladas de rações para frangos de corte, seis milhões de toneladas para poedeiras, 19 milhões de toneladas para suínos, três milhões de toneladas para gado de corte, sete milhões para gado leiteiro, mais de um milhão de toneladas para peixes e camarões, 3,5 milhões para cães e gatos e dois milhões para caprinos, ovinos, equinos, etc, totalizando 81,5 milhões de toneladas (crescimento médio de 2,54% ao ano desde 2011).
 
No caso dos suplementos, o crescimento médio de 8,1% poderá culminar na produção de quase cinco milhões de toneladas. A evolução prevista de 2011 até 2020 na demanda de rações é de 2,4% ao ano para frangos de corte, 2,7% para poedeiras, 2,1% para suínos, 2,3% para gado de corte, 3% para gado leiteiro, 12,3% para peixes e camarões, 4,9% para cães e gatos e 2,0% para ovinos, caprinos, equinos, etc.