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Por Talis Maurício
 

A crise hídrica era prevista? De quem é a culpa? Para essas perguntas, existem respostas e respostas. No entanto, especialistas defendem que, além dos fenômenos meteorológicos, as emissões elevadas de CO2, o desmatamento de florestas, o mau trato do solo e da gestão dos recursos hídricos estimularam os cenários vividos recentemente. 
 
A única certeza é a de que teremos de nos preparar, pois situações como essa serão cada vez mais frequentes. É o que aponta o meteorologista Gilvan Sampaio, especialista no assunto e pesquisador do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
 
O professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo Augusto José Pereira avalia que o próximo período de estiagem pode ocorrer já em 2019 e ser ainda mais impactante. Com base em levantamentos históricos do IAG, ele argumenta que desde 1930 sempre houve períodos de seca em São Paulo variando de 4 a 11 anos. 
 
Diante de um quadro com menos chuvas, temperatura subindo entre 2°C e 4°C e uso indiscriminado dos recursos naturais, os pesquisadores preveem outro problema: a ampliação da desertificação no Brasil. Por enquanto, o Sudeste está livre deste processo de degradação da terra, que afeta 168 países e mais de 2 bilhões de pessoas no mundo, segundo a ONU. Já o Norte e o Nordeste exigem cuidado, como explica o engenheiro florestal Francisco Campello, da Comissão Nacional de Combate à Desertificação.
 
A crise hídrica no Brasil vem despertando até mesmo a curiosidade de estudiosos de outros países. Tanto que no próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o exemplo do Sudeste deve ser citado. É o que afirma um dos membros do grupo, o pesquisador José Antônio Marengo. 
 
Fonte: CBN