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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fez poucas mudanças em seu relatório mensal de oferta e demanda de grãos na safra 2015/16, divulgado ontem. As alterações mais importantes ficaram no cenário do milho, cujas projeções mais folgadas de oferta pressionaram os preços em Chicago.
Diante de um clima favorável na América do Sul e um ambiente que estimula as exportações pelos países da região, o órgão elevou suas estimativas para a oferta do grão de Brasil e Argentina. Para a safra brasileira, a projeção passou de 81,5 milhões para 84 milhões de toneladas e, para a colheita argentina, subiu de 25,6 milhões de toneladas para 27 milhões de toneladas.
O Brasil – que está no período de plantio da safra de inverno – deve exportar 28 milhões de toneladas, de acordo com o USDA. Em janeiro, a projeção era de 25,5 milhões de toneladas. Analistas dizem que o dólar forte afasta os compradores do produto americano e os empurra para os países de moeda mais fraca, como Brasil, Argentina e os do Leste Europeu. Para a Argentina, a nova estimativa de exportação é de 17 milhões de toneladas, 1 milhão de toneladas superior à de janeiro.
Coerente nos dados, o órgão americano reduziu sua projeção para as vendas externas americanas, que passaram de 43,18 milhões de toneladas em janeiro para 41,91 milhões de toneladas. Como o consumo no país não deve ter grandes alterações, a estimativa para o estoque final de milho nos EUA subiu quase 2%, para 46,67 milhoes de toneladas. Os contratos futuros do milho de segunda posição de entrega na bolsa de Chicago caíram 1 centavo, para US$ 3,66 o bushel. 
No cenário da soja, a mudança mais expressiva veio no aumento esperado para a colheita na Argentina, cujas áreas produtoras passaram a receber mais chuvas nas últimas semanas. A projeção agora é de 58,5 milhões de toneladas, 1,5 milhão de toneladas mais que nas projeções de janeiro. Esse aumento causou uma elevação na perspectiva de produção global para 320,51 milhões de toneladas.
No que diz respeito à demanda por soja, o órgão realizou ajustes apenas nas projeções para o consumo doméstico dos países e manteve as estimativas de exportação, confirmando o Brasil como maior exportador de soja do mundo. Dessa forma, a estimativa do USDA para os embarques americanos continuou em 45,99 milhões de toneladas, enquanto a projeção para as exportações brasileiras prosseguiu em 57 milhões de toneladas. As novas estimativas do USDA tiveram pouca influência sobre as cotações da oleaginosa em Chicago. Os contratos de segunda posição da soja fecharam com alta de 0,75 centavo, a US$ 8,6725 o bushel. 
Fonte: O Valor Econômico