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 Uma fazenda sustentável em Caconde (SP) ganhou projeção fora do Brasil. O reaproveitamento dos resíduos na criação de suínos gera uma economia de 40% na produção. O assunto foi tema de uma tese da USP de Ribeirão Preto (SP), que ganhou publicação em uma revista internacional especializada em bioenergia (Biomass & Bioenergy).

 
Nos 110 hectares de produção sustentável, a suinocultura na fazenda é modelo de reaproveitamento. Há sete anos, o produtor João Paulo Antonio Muniz resolveu utilizar tudo aquilo que era descartado na produção. Ele instalou dois biodigestores e os dejetos da granja, formada por dois mil animais, foram canalizados para um reservatório.
 
Na propriedade também é feito o abate, e os resíduos são encaminhados pro mesmo tanque. A fermentação dá origem ao biogás e biofertilizante, usados na lavoura de milho. Complemento na alimentação dos suínos, parte do biogás vai para a granja e aquece os leitões.
 
“Tinha um gasto de gás imenso na minha fábrica de torresmo e no abate dos suínos. Hoje é zero. Eu produzo em torno de três botijões de gás por dia e a gordura eu aproveito na ração e mais no sabão”, explica o produtor.
 
Lucro
 
O que antes era descartado hoje é sinônimo de lucro. Com o reaproveitamento, os gastos na produção caíram 40%. O dinheiro economizado vai para melhorias na propriedade. Funcionários receberam aumento e se tornaram parceiros da reciclagem.
 
“A gente aprende a não jogar as coisas fora. E isso motiva a passar para as nossas crianças que tudo é reaproveitável”, diz o gerente Leandro Henrique Dias.
 
Todo o ciclo na criação dos suínos trouxe benefícios. O reaproveitamento favorece o meio ambiente, diminui os custos com a produção e traz novas ideias. Para aproveitar o biogás, o produtor já pensa em expandir os negócios e lançar outros produtos no mercado.
 
O biogás encanado chega à cozinha e aquece o óleo para a fritura da batata. Com o crescimento dos negócios, o produtor também ampliou as formas reaproveitamento. Nada se perde. Na lavagem da batata tem que retirar esse amido para poder fritar. Ele vai como fonte de carboidrato para os animais”, explica João Paulo.
 
A produção sustentável chamou a atenção do pesquisador Alexandre Leoneti da USP de Ribeirão Preto. A ação realizada na propriedade em Caconde virou tema de um projeto de pesquisa e o trabalho inovador ganhou divulgação internacional.
 
Para o pesquisador, este modelo de reaproveitamento pode ser aplicado em outras produções. “Esse tipo de visão de identificar as possibilidades de alterar o processo produtivo, de verificar com mais atenção os problemas e transformá-los em benefícios da própria organização é não só adequado para outros tipos de fazendas ou similares, mas como qualquer outro tipo de organização, como um comércio ou uma indústria”, explica.

Segundo Leoneti, a divulgação também coloca o Brasil como país produtor de novas fontes de energia. “É importante para transformar essa ideia de um município pequeno do Estado de São Paulo para a maior parte dos pesquisadores das unidades do mundo”, ressalta.