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Os Estados Unidos deram uma notícia preocupante para os produtores brasileiros de milho nesta quinta-feira (31). Vão plantar 37,9 milhões de hectares do cereal, 2,3 milhões mais do que no ano passado.
A notícia é ruim para os produtores, mas boa para as indústrias nacionais que utilizam o cereal.
Afinal, se a previsão do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) se confirmar, os norte-americanos vão obter a maior safra da história: 365 milhões de toneladas, segundo Daniele Siqueira, da AgRural.
A maior, até então, havia sido a de 2014/15, quando o país produzira 361 milhões de toneladas.
Esse novo cenário é desafiador para os produtores brasileiros porque o volume a ser exportado pelos EUA pode aumentar, apesar da grande demanda interna que eles têm.
Nesta safra 2015/16, os norte-americanos deverão colocar no mercado externo apenas 42 milhões de toneladas, abaixo dos 47 milhões do período 2014/15.
A disposição de produto para 2016/17 poderá ser maior, podendo atrair a atenção de tradicionais importadores deles que, nos últimos anos, descobriram o mercado brasileiro.
Além de um eventual retorno dos norte-americanos, o Brasil vai sofrer também a concorrência dos vizinhos argentinos, cuja produção comercial será de 25 milhões de toneladas.
O novo governo argentino está diminuindo as amarras para as exportações de cereais, colocadas pelo governo anterior.
O aumento da oferta mundial de milho por esses tradicionais produtores pode facilitar, no entanto, importações brasileiras.
Daniele enumera várias razões para o aumento de área de milho nos Estados Unidos. Seguramente um dos motivos é o custo menor de produção nesta safra do que na anterior, devido à queda nos preços do petróleo.
A rentabilidade também está melhor do que a obtida na safra anterior, o que influencia a decisão do produtor, segundo ela.
Além disso, haverá uma intensa queda na área de trigo, que deverá ser substituída, em parte, por milho.
Daniele acha ainda muito cedo para uma avaliação certeira da área de milho, principalmente porque o plantio já começa com excesso de chuva em algumas regiões.
De qualquer forma, o mercado norte-americano também está dependente do cereal, uma vez que nas últimas três safras os produtores haviam reduzido em 3,7 milhões de hectares a área plantada.
Os norte-americanos podem voltar ao mercado externo com mais força, mas a demanda interna deles, vinda da produção de etanol e de outros consumos, é grande, afirma a analista da AgRural.
 
Área de soja
O Usda fez pouca alteração na área de soja da safra 2016/17. Na avaliação dele, serão semeados 33,3 milhões de hectares, 200 mil menos do que em 2015/16.
 
Safra
A Bolsa de Cereais de Buenos Aires refez os cálculos sobre a produção de soja da Argentina, elevando o volume para 60 milhões de toneladas.
 
Ainda em queda
Apesar dessa alta em relação ao que previa antes, o volume ainda ficará 800 mil toneladas abaixo do obtido na safra anterior.
 
Fonte: Folha de S. Paulo