Com dificuldades de definir o novo desenho da Esplanada dos Ministérios, a presidente Dilma Rousseff voltará a se reunir a partir desta terça (29) com PMDB e PT em busca de um formato de reforma administrativa que lhe garanta apoio no Congresso.
Para tentar contemplar as diferentes alas do PMDB, que iniciaram uma queda de braço pelo controle de pastas, Dilma voltará a discutir as mudanças nos ministérios com o vice-presidente, Michel Temer, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –que disse a assessores e aliados que viajará a Brasília na quarta (30) para ajudá-la a chegar a uma solução.
Com o impasse no PMDB, a cúpula do Planalto avalia como improvável que a reforma administrativa seja anunciada na quarta e defende que, no atual momento de crise política, é preferível Dilma acomodar as distintas forças do PMDB do que cumprir promessa feita no início do mês de cortar dez ministérios.
Com a ausência da presidente, que discursou nesta segunda (28) em Nova York na abertura da Assembleia Geral da Nações Unidas, coube à sua equipe de articulação política tentar chegar a um acordo entre a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados e o grupo do vice-presidente, Michel Temer.
Com a ameaça da bancada de deputados do PMDB de abrirem mão da participação na administração petista, o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) e o assessor Giles Azevedo entraram em contato com parlamentares do partido para assegurar que a presidente não recuará no compromisso de entregar duas pastas à bancada peemedebista da Câmara.
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Precisando de votos para evitar a derrubada de vetos a propostas que aumentam os gastos do governo e para aprovar pontos do ajuste fiscal, Dilma prometeu ao líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), que a bancada poderá indicar um nome para a Saúde, ministério cobiçado por várias legendas.
Outra pasta seria na área de infraestrutura, mas para isso Dilma precisa definir os tamanhos que terão nos ministérios as bancadas da Câmara, do Senado e os nomes de confiança de Temer.
Berzoini também se reuniu nesta segunda com o ministro da Aviação Civil, Elliseu Padilha –o Palácio do Planalto estuda deslocá-lo da atual pasta para o comando da Infraero. Padilha é um nome de confiança de Temer.
Se isso ocorrer, o ministro Hélder Barbalho deixaria a Pesca e assumiria a Aviação Civil. Portos, hoje com Edinho Araújo, ficaria com o PMDB da Câmara.
Temer, no entanto, resiste a aceitar essa mudança. Os ministros Padilha, Hélder Barbalho e Henrique Eduardo Alves (Turismo), aliados do vice-presidente, ameaçam desistir de participar do primeiro escalão do governo federal caso algum deles fique sem pasta.
 
Folha de S. Paulo