O presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, defendeu na quarta-feira (10) o desenvolvimento de transporte ferroviário para reduzir custos de carnes e outros produtos da agroindústria de Santa Catarina, evitando a migração destas indústrias para o Centro-Oeste do país.
“O transporte ferroviário é a alternativa mais viável para baratear o transporte e o custo final dos produtos”, disse ele, em texto enviado à imprensa. “Caso tivéssemos esta alternativa na região, não precisaríamos temer o avanço da fronteira agrícola para o Centro-Oeste e Norte, juntamente com as agroindústrias de carne”, acrescentou.
Lanznaster argumentou que, todos os anos, as indústrias de processamento de carne avícola e suína de Santa Catarina buscam entre 3 milhões a 3,5 milhões de toneladas de milho no centro do Brasil, para suprir a insuficiência do milho catarinense. Essa movimentação exige mais de 100 mil viagens de carretas por percurso de 2,2 mil quilômetros e custos de R$ 5 bilhões em frete por ano, segundo Lanznaster. Ele alegou que esses custos têm levado à migração de indústrias de Santa Catarina para o centro do Brasil.
“Só há um meio para evitar a fuga das agroindústrias: construir a ferrovia norte-sul, ligando o oeste catarinense ao Centro-Oeste do país”, defendeu.
A escassez de milho em algumas regiões produtoras de suínos e aves do país foi intensificada neste ano, com o forte volume de exportações deste grão em janeiro. A indústria frigorífica tem pedido ao governo federal iniciativas para garantir o abastecimento do grão a preços razoáveis, mitigando altos custos de produção.
Leilões de estoque de milho para criadores já estão sendo realizados, sendo que o próximo ocorrerá na terça-feira (16), organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ofertando 150 mil toneladas do produto. O milho a ser leiloado está estocado em armazéns em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
 
Fonte: Carnetec