A exemplo do que acontece na região Sul, criadores de suínos de Mato Grosso também enfrentam dificuldades. O preço recebido pelo suíno vivo é R$ 1,65 o quilo, o menor do país, inferior ao segundo menor preço, o de Santa Catarina, que é de R$ 1,70/kg. As informações são do levantamento da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).
De acordo com dados da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o produtor gasta, em média, R$ 2,25 para produzir um quilo de carne, principalmente com a alimentação (milho e farelo de soja). Conforme a entidade, o prejuízo tem levado produtores a desistir da atividade.
 
Outro motivo da desvalorização do suíno vivo é a queda nas exportações. Mato Grosso, assim como Rio Grande do Sul e Paraná, também entrou na restrição temporária das importações da Rússia há mais de um ano. Deste modo, a comercialização de carne suína de janeiro a julho caíram, em volume, 32,8% em Mato Grosso, para 5,555 mil toneladas. Em receita, a queda foi de 50,1%, para US$ 11,771 milhões, com recuo de 25,8% do preço médio por tonelada, para US$ 2,119, conforme os dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). A Acrismat também defende a inclusão da carne suína na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como forma de minimizar os prejuízos da suinocultura.
 
Na próxima quinta, dia 12, os suinocultores farão uma série de protestos em Brasília para denunciar as dificuldades pelas quais passa o setor, resultado dos custos de produção elevados em um momento de fraca demanda. Do extremo-oeste de Santa Catarina ao Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, vários municípios decretaram situação de emergência. As manifestações, organizadas pela ABCS, preveem participação em audiência pública no Senado e um churrasco de carne suína em frente ao prédio do Ministério da Agricultura.
 
O governo federal já estuda medidas de apoio ao setor, como a liberação de recursos para a indústria, por meio de Linha Especial de Crédito (LEC), com o objetivo de estimular a compra e a estocagem de carne proveniente de 2,5 mil suínos, que seriam adquiridos por um preço de referência estabelecido pelo governo. No Plano de Safra 2012/2013 o governo anunciou a liberação de R$ 1,2 milhão por criador para retenção de matrizes. O setor produtivo, no entanto, considera o valor insuficiente para quitar as dívidas e garantir o investimento.
 
Fonte: Rural BR