O produto do agronegócio (PIB) recuou 0,75% no primeiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado, apontou estimativa divulgada ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à USP. O cálculo leva em consideração não só a produção agropecuária, mas também os segmentos de insumos, processamento e distribuição.

Considerado de forma isolada, o produto da agropecuária (atividade primária) ficou praticamente estagnado no período – expansão de 0,03%. A agricultura foi a vilã, com queda de 0,99%, mas o resultado foi compensado pelo crescimento de 1,41% na atividade pecuária.

Os números diferem bastante daqueles apresentados no dia 1º pelo IBGE. Na ocasião, o instituto informou que o PIB da agropecuária despencou 8,5% no primeiro trimestre, o que se explica por uma questão metodológica.

Uma das diferenças fundamentais é que o PIB calculado pelo Cepea leva em conta tanto a evolução do volume como dos preços da produção (descontada apenas a inflação do período). No cálculo do IBGE, os preços são constantes, o que evidenciou os efeitos da quebra da safra de grãos no Sul do país. Também há distinções em relação às estimativas de produção e ao peso de cada atividade no cálculo da atividade no primeiro trimestre.

Se considerados todos os elos da cadeia, o PIB da agricultura recuou 1,22% no período, pressionado principalmente pelo fraco desempenho da indústria processadora, que encolheu 1,98%. Os setores industriais ligados à agricultura mais afetados foram os de elementos químicos (-9,9%), têxtil (-6,09%), açúcar (-2,76%) e óleos vegetais (-2,17%). Já indústria torrefadora de café registrou expansão de 5,67%, acompanhada pelo segmento de "beneficiamento de produtos vegetais", que cresceu 2,39%. Ainda no agronegócio agrícola, os segmentos de insumos (-0,28%) e distribuição (-0,81%) também tiveram resultados negativos.

Já a pecuária teve um trimestre favorável sob a ótica do Cepea. Impulsionado pela alta de 1,41% na atividade primária, o setor encerrou o trimestre com expansão de 0,33%. O PIB da indústria de base pecuária recuou pelo terceiro trimestre consecutivo (-2,2%). Segundo o Cepea, a retração reflete a queda dos preços e do volume produzido nos segmentos de abate e laticínios. "Na indústria do abate, as vendas da carne, em março, ficaram abaixo das expectativas, agravando o recuo de preços no período", observa a instituição.

Segundo o levantamento, o alto volume de lácteos importados, especialmente de queijos e leite em pó, também pesou sobre a indústria nacional, "que poderá ter dificuldades para repassar ajustes concedidos à matéria-prima".

Já o Ministério da Agricultura revisou para cima sua estimativa para o valor bruto da produção (VBP) das 20 principais culturas agrícolas do país em 0,7% – de R$ 211,2 bilhões para R$ 212,7 bilhões em 2012. A comparação com o cálculo do ministério para 2011 (R$ 218,2 bilhões), porém, ainda indica uma queda de 2,5%.

O leve ajuste para cima em relação ao montante divulgado no mês passado decorre da melhora das expectativas para o milho, sobretudo diante da grande safra de inverno projetada pelos órgãos oficiais (Conab e IBGE). Para o grão, o ministério passou a prever VBP de R$ 30,3 bilhões, 3,8% mais que o estimado em maio e quase 20% acima de 2011.

Mesmo com a quebra da safra de verão provocada pela estiagem na região Sul, a soja deverá manter a liderança entre as culturas de maiores VBPs do país, com R$ 47,7 bilhões. O valor é praticamente o mesmo que o previsto no mês passado e 13,6% inferior ao resultado recorde de 2011, de acordo com o ministério.

A cana-de-açúcar deve ficar em segundo lugar no ranking, com VBP de R$ 43,6 bilhões em 2012, mesmo valor estimado em maio e 8,5% acima do ano passado.

Exportações do setor para a China seguem em ritmo acelerado

Impulsionadas por um expressivo incremento dos embarques de soja para a China em maio, as exportações do agronegócio brasileiro para o país asiático renderam US$ 3,4 bilhões no mês, ou 33,3% do total, e US$ 8,3 bilhões nos primeiros cinco meses de 2012 (22,7%), conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. Em maio de 2011, as vendas ao mercado chinês somaram US$ 2,2 bilhões, enquanto de janeiro a maio alcançaram US$ 5,8 bilhões.

O próprio ministério chamou a atenção para o fato de que, se a China fosse excluída da análise, teria havido redução das exportações do setor nos primeiros cinco meses de 2012, e realçou que os embarques para Taiwan aumentaram em quase 160%, para US$ 411 milhões. Como os chineses não podem ser excluídos da lista, no total as exportações do agronegócio brasileiro superaram pela primeira vez a marca de US$ 10 bilhões em um mês de maio e atingiram US$ 10,3 bilhões, 21,2% mais que em maio de 2011.

Tradicional carro-chefe da balança do campo, o chamado complexo soja, que inclui o grão e seus principais derivados (farelo e óleo), rendeu embarques de US$ 4,9 bilhões no mês passado, 45,2% mais que em maio de 2011. Segundo o ministério, "somente as exportações de soja em grão foram de US$ 3,84 bilhões, com embarques de 7,28 milhões de toneladas. A quantidade exportada de soja em grão em maio de 2012 representou uma expansão de cerca de 2 milhões de toneladas em relação aos embarques do mesmo mês do ano passado. Houve, também, aumento do volume exportado de farelo de soja (4,1%) e óleo de soja (81,5%)".

Os preços de exportação de soja em grão também colaboraram e subiram 9,6% na comparação. O farelo aumentou 5,9%, mas no caso do óleo houve retração de 0,6%. De janeiro a maio, o complexo soja registrou vendas externas de US$ 12,6 bilhões, 31,7% mais que nos primeiros cinco meses de 2011.

Também nos cinco primeiros meses do ano, os embarques do complexo carnes (bovina, suína e de frango), que só perderam para as vendas de soja, renderam US$ 6,4 bilhões, 1,9% mais que em igual intervalo do ano passado. Em seguida aparecem o complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol) e produtos florestais, mas em ambos os casos houve retração na comparação com igual intervalo de 2011 (ver gráficos acima).

Já as importações totais do setor tiveram queda acumulada de 0,8%, para US$ 6,9 bilhões, e com isso o superávit de janeiro a maio somou US$ 29,8 bilhões, ante os US$ 27,3 bilhões nos primeiros cinco meses de 2011.
Fonte: Avicultura Industrial