Deterioração fiscal, incertezas políticas, queda na confiança do investidor, queda na confiança do consumidor, queda na produção, inflação… A coleção de desafios para a economia neste ano é vasta, e o setor industrial brasileiro, um dos mais afetados, está custando em achar a luz no fim do túnel.
   A Folha ouviu representantes empresariais de quatro setores de peso da indústria, que juntos representam um terço do PIB brasileiro, para saber o que esperam deste anos.
  SIDERURGIA
   "Estamos vivendo a pior crise em toda a história", diz o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello. Os maiores compradores internos de aço no país são justamente os setores que mais estão sofrendo com a crise –construção civil, indústria automotiva e de máquinas e equipamentos. Além disso, explica Mello, a queda na demanda global por aço e a atuação da China com preços artificialmente mais baratos criaram um excedente de 700 milhões de toneladas da matéria-prima no mundo. A produção anual brasileira é de 48 milhões de toneladas. "Se nada for feito, teremos que fechar mais indústrias."
MÁQUINAS
   O setor de máquinas e equipamentos, termômetro do quanto as empresas estão investindo na modernização de suas estruturas, deve amargar o quarto ano seguido de queda no faturamento, sequência inédita. Segundo José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), o setor projeta queda de 10% no faturamento para 2016. "A indústria brasileira está doente", diz. 
   Apenas um segmento da economia está ampliando investimentos –o de energia eólica. O maior baque é do setor de petróleo e gás. Segundo o executivo, as indústrias brasileiras estão 35% menores do que em 2012, e as demissões não param. 
AUTOMOBILÍSTICO 
   O mesmo acontece no setor automotivo. Mais de 40 mil funcionários de montadoras estão com jornada reduzida pelo Programa de Proteção ao Emprego ou com contrato suspenso pelo regime de lay-off. Há excedente de empregados e perspectiva de queda na produção. Segundo Luiz Moan, presidente da Anfavea (que reúne fabricantes de veículos), a produção de carros prevista para 2016 será equivalente à de dez anos atrás. E o nível de emprego, ao de 2010. 
   Para o ano, Moan aposta nas exportações e na abertura de novos mercados para que o faturamento das montadoras fique pelo menos estagnado. Ele projeta queda de 7,5% nas vendas internas. 
PETRÓLEO E GÁS 
   Com a Petrobras, grande motor da indústria do petróleo e gás, mergulhada em investigação de corrupção, cortando investimentos e vendo suas ações derreterem na Bolsa, o ano para o setor será ainda mais desafiador. Para o presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Jorge Camargo, as revisões de preço do petróleo e outros fatores limitaram muito a capacidade de investimento. A palavra-chave da vez será "competitividade", diz. 
   "Vai ser um ano difícil", diz. "Mas, apesar da situação, o Brasil continua com potencial muito grande de atrair investimentos, sem necessidade de subsídios", afirma.
Fonte: Folha de São Paulo