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Para o presidente da Abiec, Antônio Camardelli, abertura dos Estados Unidos para compra de bovino in natura do País tem efeito transversal no mercado; missão do governo rende até US$ 2 bi
 
Não por acaso os asiáticos são vistos como uma potência para o mercado de carnes. Donos de 28% do consumo mundial de aves e 20% de bovinos, eles têm sido compradores importantes do Brasil e a tendência é que a recente missão do governo federal na Ásia, amparada pela abertura dos EUA ao boi in natura, acelere os negócios com o continente.
"O passaporte americano [da carne brasileira] age em todos os mercados que têm respeito pelos padrões [sanitários] dos EUA", afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. Além de colaborar no envio de proteína animal para países vizinhos, como Canadá e México, ter uma aprovação americana, consolidada em agosto deste ano, também gera um efeito "transversal".
O executivo acompanhou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, na viagem a países asiáticos realizada neste mês que, segundo avaliação do líder da pasta anunciada ontem, poderá render de US$ 1,5 a US$ 2 bilhões para o Brasil, entre novos mercados e investimentos na agricultura e pecuária.
Representantes da proteína animal ouvidos pelo DCI disseram que ainda não foi possível mensurar os rendimentos potenciais das visitas em volume e valor de exportações. No entanto, a cadeia foi destaque: teve ampliação de compras de suíno, bovino e aves prevista no Vietnã; aves e material genético para a Malásia; bovino para a Tailândia; abertura de suínos na Índia; avanço nas discussões de abertura para suínos na Coreia do Sul e, claro, discussões em mercados já consolidados, como China, Japão e Hong Kong.
De acordo com ministério, hoje, a Ásia conta com 51% da população mundial. "Em 2030, o continente terá uma classe média de 3,2 bilhões de pessoas", enfatizou Maggi, no intuito de posicionar o Brasil enquanto parceiro na garantia de segurança alimentar. Novamente, o ministro reforçou a intenção de expandir a participação do País no comércio global de produtos agropecuários, de 6,9% para 10%.
Responsável por promover as cadeias de aves, suínos e ovos durante a viagem, o vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, avalia a missão toda como exitosa e destacou o estabelecimento de datas nas negociações com a Coreia para abertura à importação do suíno proveniente do estado de Santa Catarina.
"Até novembro haverá a aprovação legislativa do governo coreano, depois disso vem a última etapa, de visita a frigoríficos daqui", explica Santin.
O status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação fez com que as agropecuárias catarinenses saíssem na frente. Segundo o presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, das 7 mil toneladas de carne de frango embarcadas pelo Brasil à Coreia, 10% saem da companhia, que está na fila para enviar suínos ao país.
"Esperamos que em março do ano que vem aconteçam os primeiros embarques. Se exportarmos 100 toneladas por mês será muito bom", projeta o executivo da cooperativa.
O presidente da Abiec adiantou que já existe uma nova missão da pasta aprovada, desta vez para Rússia, Armênia e Japão, na qual representantes do bovino também estarão presentes. A viagem será encabeçada pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki.
E por falar em Ásia, vale lembrar que ontem, em Pequim, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) assinou um acordo de cooperação com a China Meat Association (CMA) que pretende dar acesso ao mercado chinês também aos frigoríficos brasileiros de médio porte.
 
Precificação
O aumento sazonal na demanda por carne bovina no fim do ano, aliado à oferta restrita, sustentou alta na arroba a ponto de melhorar as margens dos frigoríficos, avalia o analista da Scot Consultoria, Felippe Reis. No acumulado do mês, a proteína subiu 8,4% no atacado paulista até ontem, movimento que vem desde agosto.
 
Fonte: DCI