A paralisação dos caminhoneiros atingiu até o momento 07 estados: GO, MG, MS, MT, PR, RS e SC, sendo que no Mato Grosso, onde o movimento se iniciou, já dura 6 dias. No Paraná algumas cidades já enfrentam desabastecimento de combustível, com a gasolina batendo em R$ 5,00 o litro nos postos onde o produto ainda é encontrado. No agronegócio, além dos efeitos indiretos como aumento do custo e atraso nas entregas, há um efeito direto sobre setores que trabalham com produtos perecíveis e que necessitam de estocagem refrigerada, como o caso da indústria frigorífica, que já tem unidades paradas nos 03 estados do sul.
 
A paralisação de frigoríficos de aves e suínos provoca um efeito cascata ao longo de toda cadeia produtiva a montante da indústria. O planejamento da produção agropecuária nestas cadeias produtivas é rigorosamente calculado, onde cada dia a mais que o abate fica paralisado provoca uma tensão no campo pela falta de espaço nas granjas de suínos; aumento do risco de mortalidade nos aviários; aumento da conversão alimentar com perda de competitividade dos lotes e prejuízos para o produtor; peso dos animais acima do ideal para o abate com prejuízos para a indústria; e consequentemente desequilíbrio nas relações de mercado.
 
O mercado de animais vivos pode rapidamente sentir os efeitos da paralisação dos abates se a situação perdurar até o final de semana. A semana anterior já teve redução do abate devido ao feriadão de carnaval, portanto, muitos frigoríficos estavam com escalas apertadas para compensar o recesso. As granjas de suínos, apesar do equilíbrio na produção, suportam pouco mais de uma semana sem que haja grandes prejuízos em relação ao custo de produção e falta de espaço.
 
Naturalmente, quanto mais tempo fica parada a engrenagem industrial, mais animais se acumulam nas granjas, e no momento seguinte há uma sobre oferta de animais que pode influenciar os preços, mesmo que momentaneamente. O abastecimento de grãos também já começa a ser sentido no campo, e muitas unidades de produção possuem estoques para apenas poucos dias. Num momento onde as cadeias das carnes de aves e suínos passam por ajustes de preços e diminuição das margens, a paralisação do sistema logístico é altamente carburante para o mercado.
 
Os cenários são improváveis, desde uma situação de resolução natural pela falta de estrutura nas estradas que atenda quem está parado e pelo desgaste natural de uma situação como esta, até a radicalização do movimento com a adesão de novos estados, como já ameaçaram na madrugada de ontem os caminhoneiros de São Paulo. O descontentamento geral da sociedade com o governo federal está levando apoio ao movimento, como pode ser notado nas redes sociais, onde muitos dos que lamentam os prejuízos também apoiam as paralisações pelo fato de saberem que as pressões rapidamente aumentarão os desgastes em Brasília.
 
 
Fonte:  Blog do Coser