Em seu mais recente estudo sobre as tendências do mercado mundial de carnes no corrente exercício, a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sinaliza que as exportações de carne de frango do corrente exercício podem retroceder cerca de 1% em relação a 2014.

Se a previsão se confirmar – destaca a FAO – será a primeira queda registrada nos últimos anos, embora os volumes negociados internacionalmente permaneçam em relativa estabilidade desde 2012.

De forma geral, a estagnação no comércio resulta, apenas, do aumento de produção nos países importadores. Em 2015, entretanto, o fluxo comercial caiu em decorrência (primeiro) dos surtos de Influenza Aviária nos EUA, pois vários países suspenderam (parcial ou totalmente) suas importações. E (segundo) por conta da redução de compras, considerada drástica pela FAO, por parte da Rússia e de Angola.

Os dois maiores importadores mundiais da atualidade, China e Japão, tendem a manter suas compras nos mesmos níveis registrados em 2014, enquanto um incremento moderado pode ser esperado de outros grandes importadores como México, Arábia Saudita, Vietnã e África do Sul.

Opostamente, já se pode contar com importações menores por parte da União Europeia (UE), Rússia e Angola. No caso de Angola, em janeiro de 2015 o governo local revogou as licenças de exportação para uma série de produtos, entre eles os cortes de frango. Quase ao mesmo tempo, embargou as importações dos EUA, seu principal fornecedor, devido aos surtos de IA. Dados relativos ao primeiro quadrimestre de 2015 apontam que as importações angolanas do período corresponderam à metade do que foi registrado nos mesmos quatro meses de 2014, situação que deve persistir no restante do ano.

Quanto à Rússia, é natural contar-se com nova e sucessiva queda nas importações, algo que se repete há três anos. Mas, desta vez, essa redução tem novo ingrediente, ou seja, não decorre apenas do aumento da produção russa, mas também do embargo (ora completando um ano) imposto a uma serie de países (principalmente EUA e UE) que, em 2013, responderam por três quartos do suprimento externo de carnes da Rússia.

Segundo a FAO, a identificação de fontes alternativas de abastecimento tem sido um desafio para a Rússia. Tanto que o fornecimento – a partir, sobretudo, do Brasil, Turquia e Belarus – continua limitado, fato demonstrado nas importações dos cinco primeiros meses do ano, 50% menores que no mesmo período de 2014.

Fechando a análise relativa aos importadores, a FAO observa que as compras da UE também tendem a uma redução, comportamento que deve afetar principalmente o Brasil que, “no contexto de uma limitada disponibilidade de produto exportável, tem se concentrado no atendimento de países do Oriente Médio e da China”.

Focando agora os principais exportadores, a FAO comenta que Brasil, EUA e UE vêm registrando variação mínima de vendas nos últimos anos. Mas em 2015 essa situação vem se modificando e favorecendo Brasil e UE devido à Influenza Aviária nos EUA que, por sua vez, saem prejudicados do episódio e devem perder pelo menos 8% de suas vendas. Isto, conforme a doença seja contida e erradicada.

Sob este aspecto, como diversos países mantêm embargos parciais ou totais à produção dos EUA, outros exportadores além do Brasil e UE devem aumentar suas vendas externas, casos da Tailândia e da Turquia. E aqui – considerados os sete maiores exportadores listados pela FAO – o maior retrocesso (quase um quarto de exportações a menos) pode estar reservado para a Argentina, que enfrenta declínio substancial das compras por parte da Venezuela, seu principal mercado externo.

Abaixo, o quadro de principais exportadores e importadores nos exercícios de 2013, 2014 (dados ainda preliminares) e 2015 (projeção baseada no desempenho até aqui observado). Notar que, pelos números da tabela, em 2013 e 2014 a liderança nas exportações mundiais esteve com os EUA. E, todo mundo reconhece, desde 2004 o Brasil mantém-se à frente nesse segmento.

Esse resultado leva a supor que, nos números divulgados, está inclusa também a carne de peru. Porém, segundo o USDA, em 2014 a exportação conjunta das carnes de frango e de peru dos EUA somou 3,678 milhões de toneladas, 90% desse volume (3,313 milhões/t) correspondendo à carne de frango. Fica pois a questão: de onde saíram as quase 500 mil toneladas a mais constantes no histórico da FAO?

De toda forma, a FAO está correta ao prever que as exportações norte-americanas podem retroceder 8% no corrente exercício. Esse, pelo menos, foi o índice de queda registrado no fechamento dos seis primeiros meses de 2015
 
 
 
Fonte: Avisite