Depois de a cotação do dólar superar R$ 2,40, impulsionada pelo cenário externo e pelas incertezas da eleição presidencial, o Banco Central decidiu praticamente dobrar sua intervenção diária no mercado cambial para segurar a desvalorização do real.

Em comunicado na noite desta terça-feira (23), o BC informou que vai leiloar a partir de hoje (24) US$ 750 milhões em contratos de swap cambial -que representam venda futura de dólar-, ante os US$ 300 milhões que vinha negociando diariamente para renovar contratos que vencem no início de outubro.

Além dessas operações, o BC mantém o programa de venda diária de outros US$ 200 milhões em contratos novos de swap cambial. Com isso, a intervenção nesta quarta-feira será de US$ 950 milhões, ante US$ 500 milhões até ontem somando os dois tipos de operação.

Esse novo ritmo será mantido até o final do mês – a decisão do BC é renovar integralmente os contratos que vencem no início de outubro, um total de US$ 6,7 bilhões. Antes, pelo ritmo anterior, a renovação seria de 70%, o que estava contribuindo para a alta recente do dólar.

Na avaliação do mercado, a decisão de elevar as intervenções diárias indica que o BC deseja segurar a cotação do dólar em torno de R$ 2,40. Ontem, a moeda americana registrou sua quinta alta seguida, subindo 0,62% e fechando a R$ 2,409.

É a primeira vez desde fevereiro que o dólar supera o patamar de R$ 2,40. Foi também o maior valor de fechamento desde o dia 12 daquele mês, quando a moeda tinha fechado em R$ 2,423.
Até a decisão tomada no início da noite de ontem, o discurso dentro do governo era que a alta do dólar nos últimos dias refletia um movimento internacional e que, por isso, não fazia sentido o BC fazer uma intervenção pesada para segurá-lo.

Entre assessores, a dúvida era se o banco não deveria pelo menos suavizar a tendência de alta, já que, no Brasil, ela tem sido mais expressiva por causa das incertezas do cenário da disputa eleitoral.

O dólar tem mostrado tendência de alta sempre que as pesquisas de intenção de voto apontam para uma vitória da presidente Dilma Rousseff, vista com restrições pelo mercado financeiro.

Os dois principais adversários da presidente Dilma, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), têm o apoio do mercado porque defendem uma política econômica mais ortodoxa – que daria, em tese, mais liberdade de flutuação ao câmbio. Já a petista é vista como intervencionista.

Ontem, o mercado atuou durante boa parte do dia com boatos de que pesquisa do Ibope mostraria Dilma à frente de Marina nas simulações de segundo turno, o que acabou não se confirmando. O levantamento divulgado no final do dia, quando o mercado já havia fechado, mostrou as duas empatadas em 41%.

Com a alta do dólar desta terça-feira, as perdas do real neste mês superaram 7%, o pior desempenho em relação a mais de 20 outras moedas estrangeiras.

Com as intervenções diárias feitas desde agosto do ano passado, as operações de swap cambial somam US$ 96,3 bilhões. O BC se comprometeu a manter o programa até o fim do ano.
 
Fonte: Folha de São Paulo