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Para que a pecuária possa avançar no modelo sustentável de produção, a pastagem é indispensável para trazer rentabilidade para a fazenda. Propriedades voltadas à criação de gado em Goiás mostram que recuperar pastagens é o melhor investimento que se pode fazer na atividade. 
O pecuarista Marcel Santa Cruz, que envia para o mercado 300 bezerros por ano, apostou na rotação da pastagem com milho para fornecer capim de maior qualidade nutricional para a vacada. Após colher o cereal, o investimento é na recuperação do pasto. Numa das áreas da propriedade, de 15 hectares, ele está formando pasto com capim-mombaça, garantindo aumento de produtividade.
“A lotação de animais por hectare mais que duplicou, depois da rotação e do cuidado com o solo. O melhoramento da pastagem interfere diretamente em tudo na propriedade”, atesta Santa Cruz.
 
Consórcio
No nordeste do estado, perto da divisa com a Bahia, os pecuaristas tratam de conservar o pasto para enfrentar a seca com maior facilidade. Mas, quando a estiagem se prolonga, a decisão de manter o rebanho tem que ser rápida. Entre novembro e dezembro do ano passado, por exemplo, não houve chuva, e o pecuarista Lourenço Cristóvão decidiu vender 500 bezerros por temer não ter pasto para alimentar todos os animais.
Em janeiro deste ano, em compensação, choveu bastante, e mais um pouco em fevereiro, fazendo o pasto crescer. “Dava para ter ficado com os bezerros, mas vendi para me precaver”, conta.
Para tentar driblar problemas como esse, muitos produtores têm intensificado o confinamento e o semiconfinamento. Mas, na hora de reformar pastagens, a maioria faz o plantio consorciado entre sorgo e capins como a braquiária e o mombaça.
O pecuarista Acrizio Diniz Junqueira Filho adota essa estratégia e explica que, após a colheita do sorgo para silagem, o capim já está instalado. “Dentro de mais um mês, um mês e meio, colocamos gado de novo. Fazemos duas safras no mesmo ano, na mesma área”, afirma.
O custo da silagem para o pecuarista gira em torno de R$ 100 a tonelada. Se fosse comprar o produto, o valor aumentaria em 60%. Junqueira explica que, pelas características da região, o milho não é recomendado para recuperar a pastagem. Segundo ele, o capimmombaça é muito agressivo e, assim, compete com o milho, baixando sua produtividade.
 
Integração
O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura do estado (Faeg), Maurício Velloso, lembra que a integração lavoura-pecuária é o processo mais eficiente para garantir a recuperação das pastagens degradadas. 
A associação entre as atividades, diz ele, permite um desempenho excepcional e com diferencial zootécnico da criação. “Isso tudo através exclusivamente daquele resíduo de agricultura e de adubo que está na terra, e ainda promovendo ganhos de matéria orgânica e equilíbrio do sistema”, afirma Velloso. 
 
Fonte: Canal Rural