A América Latina é umadas poucas regiões domundo com condições de produzir em alta escala alimentos seguros,além de contar com sua biodiversidade na produção de diversas espé-cies animais e vegetais em diferentes sistemas de produção,para diferentes mercados a custos competitivos.
 
Como expressão disso, aproximadamente 40% de todas as importações de alimentos na América Latina e Caribe provém de uma mesma região, o Cone Sul, principalmente Brasil e Argentina, com 80 a 90% da produção regional de cereais e oleaginosas, proporção esta que permanece estável desde 2006. Particularmente importante é o comércio sub regional na Centro América, dentro do Mercado Común Centro americano (MCCA).
 
Por sua vez, segundo a Feed Latina (Montevidéo/Uruguai), bloco latino-americano responsável por quase 20% da produção mundial de alimentos para animais, com mais de 142 milhões de toneladas em 2013, quanto à distribuição da produção regional, três países tomam uma clara liderança: Brasil, México e Argentina; seguidos de Chile, Colômbia e Peru. No entanto, há países de menor produção, porém, estratégicos para o comércio internacional por questões de mercado alvo ou de alta qualidade, como o caso de Cuba, Paraguai e Uruguai.
 
Osfluxoscomerciaissãovariadosenãoexis-tempaísesessencialmenteouexclusivamente exportadores,importadores ou autossuficientes. O setor de produção de alimentos para animais é dependente do comércio internacional.Nãosó é o maior consumidor de cereais e oleaginosas, como bem sabemos,mas depende de grandes volumes de microingredientes,principalmente aditivos originados da indústria de química fina da Europa,China e Estados Unidos,e de plantas ocalizadasemdistintospaísesdaAméricaLa-tina,mantendolinhasdecomércioentrepaíses do bloco e deles como mundo,incluindo premix,rações e petfood.
 
No entanto, de um total de 3.137 notificações transmitidas no Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF) na Comunidade Europeia em 2013, 272 se relacionavam a alimentos para animais, equivalente a 8,7% do total, com tendência descente, diga-se de passagem. Estas notificações, na sua maioria, foram sobre micotoxinas, micro-organismos patogênicos e não patogênicos (aumento em relação a 2012) e dioxinas em matérias-primas, aditivos, premix e alimentos completos.Posto que o objetivo global é garantir alimentos seguros a custos competitivos, a responsabilidade deve ser compartida. É preciso que os setores público e privado sejam aliados.
 
A articulação público-privada em diversos paí-ses de América Latina, direta e indiretamente, fomentará o comércio intra e inter-regional e favorecerá a inserção da Região no ambiente internacional e o cumprimento das exigências técnicas, normativas e comerciais, impulsionando um maior e melhor trânsito de produtos e um bloco fortalecido.
 
Nos diversos encontros e discussões promovidos pela Feed Latina com os organismos reguladores, associações e indústrias da região, se confirma que:■  Os marcos regulatórios para uma produção inócua e sustentável de alimentos para animais, o registro de estabelecimentos e produtos, a aplicação das boas práticas de fabricação e os instrumentos regulatórios para o comércio exterior apresentam importantes lacunas, não estão harmonizados, causando grandes problemas de intercâmbio de produtos dentro e fora da região;■ Não existe um sistema de análise e gereniamento de riscos em alimentação animal nos países da América Latina, aumentando nossa fragilidade frente aos desafios de sanidade, inocuidade e confiança internacional;■ Éaltaaburocracianosprocedimentoseins-trumentosregulatóriosedecomércioexterior, queimpede,atrasaeencareceaproduçãona-cionaleofluxoregionaldeprodutosparaali-mentaçãoanimal;■ É insuficiente a capacitação em temas de inocuidade, regulatórios, comércio exterior, métodos de análises e boas práticas em labo-ratórios, entre outros, com algumas iniciativas isoladas e não integradas. A harmonização regulatória, o fortalecimento da identidade regional em alimentação animal, o desenvolvimento de capacidades e a cooperação público-privada com base nas re-comendações dos organismos internacionais competentes são condição sine qua non para que a região prospere e atue como bloco. Neste sentido, criamos e estamos executan-do, com o apoio de organismos internacionais como a FAO Regional Latino América, OIE Américas e IICA e países piloto da Região (como Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Co-lômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai), aprovado pela OMC e financiado pelo STDF, o PG345: PROGRA-MA FEED&FOOD SEGURO FEEDLATINA – Proyecto para la Armonización Regulatoria e Inocuidad de los Alimentos para Animales en América Latina y el Caribe.Como já publicado pela feed&food, o grande objetivo da FeedLatina e do PG345 é a integração. E para atender a este objetivo, apresentaremos neste espaço artigos sobre mercado, produção, assuntos regulatórios, inocuidade de alimentos, políticas interna-cionais de agentes dos setores público, da indústria, de organizações internacionais e de ensino e pesquisa dos diversos países la-tino-americanos, de modo a comunicar as di-ferentes e muito parecidas realidades vividas na América Latina, para fortalecer, integrar e abrir caminhos neste campo muito vasto de oportunidades para a produção agrícola, pe-cuária e industrial.E aproveitamos para convidá-los a integrar esse movimento. ■                         
 
Por Flávia Ferreira de Castro – Engenheira Agrônoma e diretora executiva da FeedLatina.
Fonte: Revista Feed&Food – edição de abril de 2015, página 58.