Skip to main content

Foi publicado hoje pela manhã o edital do 78º Leilão de Biodiesel da ANP. Este leilão traz como objeto a compra de B13 para atender a demanda dos meses de março e abril deste ano. Este leilão marca o aumento da mistura para 13% de biodiesel no diesel mineral – até fevereiro a mistura é de 12%.

As usinas têm até o dia 13 de janeiro para enviar a documentação de habilitação ao certame, que acontecerá na primeira semana de fevereiro.

O aumento na mistura de biodiesel vem em boa hora. No último certame foi comprado apenas 68,94% da capacidade ofertada pelas usinas. Esse baixo volume esmagou as margens das usinas e fez com que o preço do biodiesel fosse reduzido em mais de 20% no comparativo com o leilão anterior. A entrada da safra de soja no Brasil traz ainda mais disponibilidade de matéria-prima para a produção de biodiesel, mas os preços crescentes do óleo de soja no mercado internacional tornam a matéria-prima mais cara para os produtores. Sem o aumento na demanda as margens das usinas no L78 poderiam ficar abaixo do visto no L77.

Depois de um Natal e ano novo diferente no mundo todo, começamos os trabalhos de 2021 acreditando que o próximo Natal poderá ser com uma grande reunião da família e amigos. Mas ao contrário da BiodieselBR, o setor de biodiesel não parou. Muitas coisas aconteceram nesse período.

Para atualizarmos todos sobre os acontecimentos, vamos fazer um resumo do que aconteceu de mais relevante nesses últimos dias.

 

Compra de 50% da Bsbios pela RP participações

A Bsbios finalmente está 100% nas mãos de Erasmo Carlos Battistella. Depois de ter a ideia de construir a usina, arranjar investidores e sócios, vender metade de uma usina para a Petrobras, depois vender metade da empresa para a Petrobras e comprar a participação dos sócios, a Bsbios está sob o controle exclusivo do empresário. “Este momento representa a concretização de mais uma etapa de um sonho”, definiu Battistella sobre a compra.

A BSbios foi avaliada em 1,235 bilhão de reais e a Petrobras receberá cerca de 322 milhões de reais pelos seus 50%. Esse valor corresponde ao valor integral atribuído deduzindo a dívida líquida e “ajustes de preço”, conforme divulgado em release da ECB Holding.

A transação aguarda aprovação do Cade.

Veja aqui o release da Petrobras sobre o venda e aqui o release da ECB Group.

 

ANP publica as metas preliminares de aquisição de CBIOs pelos distribuidores para 2021

As distribuidoras já sabem quanto de Cbios vão ter que adquirir em 2021. A ANP publicou dia 20 de dezembro uma tabela com o volume de Cbio que cada uma das distribuidoras terá que adquirir. A lista é preliminar, já que não se tem o valor exato de vendas de combustíveis de dezembro.

A expectativa é que as distribuidoras não peçam redução da meta de aquisição de Cbios por que não saberem exatamente quanto de Cbios teriam que adquirir em 2021 já no dia primeiro dia do ano

 

CNPE cria grupo de trabalho para avaliar a entrada do Hbio no mercado de diesel

O CNPE publicou a resolução nº 13/2020 que instituiu um Grupo de Trabalho para “para analisar e opinar sobre a inserção de biocombustíveis para uso no ciclo diesel na Política Energética Nacional”. Na prática o biocombustível analisado pelo GT é o Hbio Diesel RX, biodiesel parafínico ou outro nome que a equipe de marketing da Petrobras tenha escolhido para o produto em 2021.

Os trabalhos desse grupo serão olhados com cuidado pelo setor de biodiesel, já que ele pode concluir que o biocombustível produzido pela Petrobras pode ser usado para atender o percentual de mistura de biodiesel no diesel, que será de 13% a partir de março.

O GT tem 120 dias para submeter o relatório ao CNPE. A resolução pode ser acessada clicando aqui.

 

CNPE publica as diretrizes para a o novo modelo de comercialização de biodiesel no Brasil

O leilão como conhecemos vai mesmo acabar. O CNPE publicou as diretrizes para um novo modelo de comercialização de biodiesel. O mercado já sabia que essa nova diretriz tinha sido aprovada na reunião do CNPE do começo de dezembro, mas não se conhecia o conteúdo.

O texto da resolução diz que a ANP deverá promover a “regulação do modelo de comercialização do biodiesel de forma a garantir o atendimento ao percentual obrigatório”. E que para isso deve observar os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta de biodiesel; garantia do suprimento de combustíveis; a promoção da livre concorrência; o incremento, em bases econômicas, da participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional; e os objetivos, fundamentos e princípios da Política nacional de Biocombustíveis.

Disso tudo, apenas a promoção da livre concorrência poderia estar de fora do modelo atual de leilões, mas nem todos concordariam essa afirmação. A verdade é que a resolução deixou o modelo de comercialização bem aberto, podendo a ANP interpretar da forma que melhor convir.

A resolução determina que o novo modelo entre em vigor no dia 1º de janeiro de 2022. Isso faz com que ele tenha que estar pronto ou definido até, no máximo, no fim de novembro deste ano. Para que haja tempo de todos os agentes envolvidos comprarem o biodiesel necessário para abastecer o mercado no começo do ano.

As diretrizes liberaram o uso de matéria-prima importada para o setor. Um remédio que foi criado para resolver um problema pontual tornou-se de uso contínuo. Os efeitos colaterais a toda a indústria da soja no Brasil ainda vão ser sentidos.

A compra de pelo menos 80% de usinas com o selo Biocombustível Social deverá permanecer nesse novo modelo. E só usinas autorizadas pela ANP poderão participar desse novo modelo de comercialização.

 

Veja aqui a íntegra da resolução.

 

Fonte: Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com