O crescimento lento da economia, ao que tudo indica e o Banco Central aparentemente não consegue evitar, promete dias difíceis por vir, ainda mais se levar em consideração a alta do dólar, que pesa no bolso do consumidor final. Nada muito diferente de 2014.
 
Pelo menos é o que mostra a análise crua dos números: nos 12 meses encerrados em setembro, por exemplo, o IPCA variou 6,75%, com PIB de exatos 0,7%. Para as pequenas e médias empresas, portanto, a hora deve ser de cautela e observância, já que poucas mudanças estão previstas. O pensamento estratégico pode ser a chave à sobrevivência.
 
O governo acaba de admitir que a balança comercial fechará o ano no vermelho e a probabilidade é que não haja superávit no ano que vem, de novo. Enquanto o panorama esperado pelo mercado financeiro projeta uma alta de pelo menos meio ponto percentual nos juros em janeiro como forma de atrair mais dólares, reduzir a expectativa de inflação e ganhar a confiança do mercado, a taxa Selic deve fechar o ciclo em 12,5% após o acréscimo de mais 0,25% na reunião de março.
 
Estratégias devem direcionar o comportamento do consumidor
 

É a partir de agora, em dezembro, que o efeito começa a chegar ao consumidor, puxado também pelo aumento da gasolina e fazendo com que o IGP-M fique ainda 1% acima da taxa do mesmo período de 2013. Isso significa menos dinheiro no bolso do consumidor, demandando, portanto, estratégias mais elaboradas por parte das pequenas e micro empresas para conquistar ou não perder seus clientes. Afinal, falta pouco para o consumidor colocar ainda mais o pé no freio.
 
O receio, portanto, é que a taxa de câmbio favorável à indústria não seja suficiente para superar a perda de competitividade do setor. Por outro lado, há outros caminhos que podem ser explorados, como o agronegócio e o petróleo, duas grandes possíveis tábuas de salvação da economia em 2015. Resta saber se o governo terá fôlego para consertar o que vem se deteriorando, como a própria imagem da Petrobras, por exemplo. Mas a saída, apesar de não ser fácil, existe.
 
Como proteger seu capital
 

Enquanto isso mecanismos de proteção são inevitáveis. Para empresas de pequeno e médio porte, a disciplina em épocas de inflação pode significar a diferença entre a vida e a morte. Em um cenário de juros e dólar altos, a ordem é pesquisar.
 
O empresário que quiser proteger seu capital em investimentos deve seguir a lógica de buscar uma opção que ofereça o melhor retorno dentro de uma meta pré-determinada, mas com a taxa Selic lá em cima, a poupança, muito utilizada entre pequenos e micro empresários, apesar de ser a mais segura não tem rendimento significativo – é como guardar dinheiro no colchão.
 
Mas a verdade é que no atual cenário econômico e nos dias que virão o conservadorismo parece ser mesmo o melhor caminho. A opção, na insuficiência da poupança, é o Tesouro Direto, que ainda promete as melhores taxas – as Notas do Tesouro Nacional são títulos indexados pela variação do IPCA no período (6,5%, por exemplo), além da taxa é pré-fixada.
 
Momento é de planejamento e inovação
 

Investimentos em recuo, baixa atividade industrial, PIB em queda, expectativa de desemprego, juros altos, recessão. Apesar de todos os caminhos até agora terem indicado que seria exatamente este o quadro da economia brasileira, a realidade é que poucos empresários se prepararam para o momento, como se a crise fosse apenas uma pequena onda que rapidamente se dissiparia.
 
Agora, no entanto, para as pequenas e médias empresas, 2015 promete ser um ano onde a chave para a sobrevivência parece estar no planejamento, em soluções criativas para aumentar os lucros e garantir o fluxo de caixa.
 
O momento é de alerta e, portanto, de tomada de decisões estratégicas. É preciso gerenciar os recursos humanos, financeiros e materiais com racionalidade e inovação para ganhar destaque frente à concorrência e conquistar o consumidor que, assim como ele, empresário, também está assustado.
 
É a hora de fazer pesquisas, utilizar todos os recursos de um bom software de gestão financeira, mudar a forma de relacionamento com o consumidor, definir posicionamento e detalhar ações e metas para cada público. Usar a pesquisa como base de ações inovadoras e gerar um fluxo contínuo de informações e opiniões relevantes para o público, produzindo conhecimento sobre assuntos relacionados ao público-alvo e transformando-se em referência em seu setor pode ser a melhor – senão a única – saída para sobreviver à crise e firmar-se definitivamente no mercado.
 
 
Fonte:  Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina – FAESC