Um tema que deveria ter sido melhor cotejado na disputa presidencial, que se decidiu domingo, é o da agropecuária. Talvez o menor interesse dos estrategistas das campanhas reflita a pouca intimidade dos eleitores urbanos com a agricultura, assunto mais distante de suas preocupações do que saúde, segurança, educação, emprego e mobilidade. Talvez a maioria não tenha a dimensão do papel crucial do agronegócio em nosso cotidiano e, de forma mais ampla, na vida do País, principalmente, a partir dos anos de 1970 até os dias atuais.

Entre 1992 e 2011, o agronegócio registrou vigoroso crescimento de 574%; entre 1995 e 2000, o superávit comercial foi expressivo, mesmo quando o conjunto dos demais setores foi deficitário. Em 2013, o PIB nacional cresceu 2,3%; embora tímido, tal resultado só foi possível graças à participação da agropecuária: enquanto o setor de serviços subiu 2% e da indústria apenas 1,3%, a agropecuária alavancou 7%, em ritmo chinês.

Não se trata de um "milagre brasileiro" – o nome do jogo é produtividade. Estudo da USDA, em 156 países, apontou: entre 2000 e 2010, a taxa média de produtividade agrícola cresceu 1,84%; já no Brasil avançou expressivos 4%. O peso do desafio justifica incluir a produção de alimentos como programa crucial do novo governo. Para tanto, Dilma Rousseff (PT) terá à disposição um valioso documento como ponto de partida. Elaborado por especialistas de diferentes áreas, sob coordenação do ex-ministro Roberto Rodrigues (FGV-SP), o estudo Agronegócio Brasileiro 2013-2022 apresenta cinco pilares: Desenvolvimento Sustentável, Competitividade, Orientação a Mercados, Segurança Jurídica e Governança Institucional. No Brasil, a falta de critérios no atual sistema que regulamenta a defesa vegetal na proteção agropecuária – sob responsabilidade dos ministérios da Agricultura e Pecuária, Saúde e do Meio Ambiente – desestimula investimentos.
 
Fonte:  Agrolink