Com a produção sustentável em evidência atualmente, as possibilidades para o mercado de Reciclagem Animal são enormes. A discussão sobre como diminuir ainda mais o impacto ambiental da produção de proteína animal de suínos, aves e peixes, bem como na indústria de animais de estimação, estava na agenda da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), em seu simpósio "Novos horizontes para a Reciclagem animal" que aconteceu durante a feira FIPPPA em Curitiba.
 
Os palestrantes de renome Gilson Spanemberg da Apex Brasil, Jacques Wijnoogst especialista Reciclagem Animal, e o professor norte-americano Charles Gooding enfatizaram o aspecto da sustentável da Reciclagem Animal.
 
O engenheiro químico Spanemberg afirmou que, se queremos atender as necessidades da crescente população mundial com os poucos recursos que disponiveis, é preciso fazer o máximo para usar todas as fontes que temos. "A Terra não pode sustentar todos. Se quisermos que todas as pessoas no mundo tenham uma alimentação decente, precisaríamos de uma segunda ou até uma terceira Terra”. De acordo com Spanemberg, sustentabilidade não diz respeito somente a preservação ambiental. "As necessidades sociais e econômicas também fazem parte da equação quando se trata de sustentabilidade. Temos de preservar os recursos, cuidar das necessidades das pessoas e ao mesmo tempo gerar lucro. Apenas empresas rentáveis podem garantir sustentabilidade".
 
Indústria verde
 
"Quando se trata de Reciclagem, somos uma indústria verde, mas temos de provar isso", diz Charles Gooding. O professor desenvolve estudos de avaliações de ciclo de vida e analisa os números em relação à sustentabilidade da indústria de Reciclagem. "Ao reciclar os subprodutos animais, em vez de enviá-los para compostagem, você impede 70% das emissões de CO2. Além disso, considerando o gasto com transportes, energia e outros para o processamento de farinha de carne e osso, conclui-se que este produto pode competir com a proteína de origem vegetal. Não há nada mais eficiente do agregar valor  a um produto que seria considerado um resíduo. "Com a inclusão de 5% de material reciclado em rações para substituir o mesmo valor energético e proteico que seria fornecido pela soja, faz com que a emissão de CO2 seja reduzida de 794 a 752 quilos por tonelada de alimento. "E ainda existe outras possibilidades de ganho ao se utilizar material reciclado", é a opinião de Jacques Wijnoogst. "Especialmente na alimentação Pet e na aquicultura, podemos ser muito mais eficientes. Hoje em dia há a tendência de usar ingredientes de rações secas, com uma pegada relativamente grande de CO2, devido ao uso de energia no processo de secagem". Wijnoogst é um promotor ativo do uso de subproduto, líquido ou semi-líquido. "A indústria de alimentos para humanos nos mostra que não existem limitações para o uso de produtos líquidos. Nós na indústria de alimentação animal apenas não estamos acostumados a isso."
 
Reciclagem Animal no Brasil. 
 
A ideia de usar produtos reciclados na forma líquida ainda não é o foco dos representantes da indústria de reciclagem brasileira, mas na América Latina existe um pensamento próprio sobre como utilizar produtos reciclados nos alimentos para animais". As discussões, como as que acontecem na Europa, em que o material de reciclagem não pode ser utilizado na alimentação animal, não fazem parte da nossa pauta", diz Lucas Cipriano, mediador do simpósio em nome da ABRA. Cerca de 80% de farinha de carne e ossos e 25% de gordura animal volta para a cadeia de produção de proteína animal, excluindo ruminantes. O Brasil tem, aproximadamente, cerca de 500 pequenas plantas de processamento em todo o país, mantendo mínima a necessidade de transporte de subprodutos reciclados. Estas plantas processam apenas resíduos provenientes de matadouros; todo o material proveniente de mortalidade no Brasil é destruído nas próprias fazendas. A quantidade total de matéria prima soma até 12,5 bilhões de quilos, que gera cerca de 2 bilhões de litros de gordura e 3,4 bilhões de quilos de farinha de carne e osso.
 
"Pela legislação, podemos alimentar suínos e aves usando farinha de carne e ossos em vez de proteína de soja, tornando nossa indústria avícola mais rentável", Cipriano afirma. “Mesmo sentado sobre a maior pilha de soja do mundo, com a substituição da soja por farinha de carne e ossos gera uma economia adicional de 7%. Além disso, os produtos de reciclagem têm fósforo, cálcio, proteína e energia, o que torna muito mais fácil de formular uma boa ração". 
 
A situação na Europa
 
De acordo com Cipriano, há mais vantagens para a utilização da farinha de carne e ossos do que somente a redução de custos."A proteína é escassa, devemos usar tudo o que chegar em nossas mãos". Em relação à Europa, em que não é permitido o uso de farinha de carne e ossos em ração animal, o especialista afirma: "A Europa já percorreu um longo caminho desde a crise de BSE, todo mundo sabe que o produto reciclado é seguro. Em vez de usá-lo como nós, a Europa desperdiça energia e dinheiro enviando produtos de reciclagem ao exterior e importa carne de aves de países onde é utilizada esta mesma farinha na indústria avícola. Na minha opinião, isto é uma situação sem sentido”. O especialista em reciclagem vê oportunidade para a introdução de farinha de carne e ossos em rações na Europa no futuro próximo. "É claro que é uma questão política, mais do que uma questão segurança alimentar. Dito isto, tornar alimentação sustentável tanto quanto possível, usando subprodutos é algo que a Europa e o resto do mundo não podem ignorar”.
 
FIPPPA Brasil apresenta a indústria de proteína animal da América Latina
 
A primeira edição do evento FIPPPA em Curitiba, uma parceria entre as feiras já existentes Avesui e Tecno Food Brasil, destacou a importância da produção de proteína animal na América Latina. A World Poultry foi para o Brasil para participar da experiência. Cerca de 20.000 visitantes de todo o mundo visitaram a exposição e participou do programa científico. A busca por conhecimento foi destaque no primeiro dos três dias da Feira Internacional de Produção, Processamento de Proteínas Animal (FIPPPA). Público especializado e interessados do setor participaram de vários seminários, que vão desde formas de garantir uma melhor produtividade na fazenda, os ganhos ambientais alcançados através da reciclagem, bem como seminário sobre políticas públicas para o desenvolvimento da cadeia de proteínas animais. Francisco Turra, da Associação Brasileira de Proteína Animal ABPA explicou: "Há um futuro claro no horizonte para a produção de proteína animal no Brasil. No momento nós exportamos uma grande quantidade de carne de aves, cerca de 4,1 milhões de toneladas por ano, principalmente o frango inteiro. Agregar valor através de processamento adicional, antes da exportação, é um dos desenvolvimentos que será tema quente nos próximos anos". Ainda, Turra vê vários desafios, como a alta do preço de energia e a deficiência do país em termos de logística. "O Brasil é uma fonte natural de bens, tem potencial enorme". O Gerente e editor da revista brasileira Avicultura industrial, Humberto Luis Marques, acrescentou: "O principal objetivo da nossa feira é apresentar a todos os envolvidos uma indústria tecnológica, de ponta, capaz de fazer a sua operação mais rentável. É o endereço certo para integradores, bem como operadores independentes. Os seminários são de natureza estratégica, tornando FIPPPA um evento de negócios qualificado".
 
Por Fabian Brockotter- WORLD POULTRY