O Brasil deve receber vistoria de equipe russa até o final de julho. Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, que estão proibidos de embarcar carnes para a Rússia, não devem entrar no roteiro dos auditores e há possibilidade de que outras unidades federativas sejam vetadas. A projeção é do Secretário de Defesa Agropecuária, Enio Marques. "Em encontro com líderes russos, na Argentina, no início do ano, fomos informados que o programa deles abrange apenas verificar os estados autorizados", sinalizou. No dia 15 deste mês o embargo completa um ano.

Durante reunião realizada na última terça-feira, 29, em Brasília, lideranças da Farsul, CNA, Abiec, Abrafrigo e do Ministério da Agricultura (Mapa) discutiram as dificuldades frente ao governo russo e as medidas brasileiras para solucionar o problema. Uma das alternativas em análise é a criação de um protocolo com demandas russas e responsabilidades de cada um. "É fundamental documentar as exigências sanitárias para conscientizar todas as partes, o que hoje não acontece", ressalta Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo.

Segundo Salazar, isso pode evitar questões como a que acontece com o Paraná. Enquanto a Rússia mantém o embargo com a alegação de que faltam de documentos, o Ministério afirma ter feito a entrega da documentação. "Os embargos não são baseados no caráter técnico, mas político", afirma Salazar.

Conforme o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do RS (Sicadergs), Zilmar Moussalle, o Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), José Carlos Vaz, informou durante o encontro que toda a documentação necessária para a reabertura do mercado aos Estados já foi encaminhada pelo Mapa. Entretanto, a Rússia tem apresentado novas exigências a cada resposta dada pelo Brasil. "A não ser que seja em razão de um evento sanitário muito pesado não conheço casos como este", argumenta.

Ele afirma que a indústria gaúcha está preparada para receber a missão russa e ressalta a importância da retomada do cliente. Em abril o Estado embarcou apenas 5 mil toneladas de carne bovina sendo 4,4 mil carne processada. "Estamos exportando tão pouco que qualquer mercado é lucro. Menos de 150 mil toneladas é incompreensível", desabafa.

Fonte: Avicultura Industrial