Skip to main content

A empresa de alimentos Minerva levantou ontem US$ 350 milhões no mercado internacional de dívida com a reabertura de uma emissão realizada em setembro do ano passado com vencimento em 2026.
 
Essa foi a primeira captação externa desde a piora do cenário político, em meados de maio, por conta da delação dos controladores da JBS. Na última semana, a companhia fechou a compra de nove frigoríficos na Argentina, Paraguai e Uruguai que eram da JBS, que viu na venda dos ativos uma saída para reforçar o caixa diante dos desembolsos que o grupo terá pela frente no âmbito do acordo de leniência.
Do lado da Minerva, como a transação foi bem recebida pelo mercado, a companhia viu uma oportunidade de reabrir o bônus e levantar os recursos necessários para financiar a aquisição. Foi preciso, no entanto, pagar um pouco mais caro, se considerado o custo no lançamento da emissão no ano passado. Em setembro de 2016, a companhia levantou US$ 1 bilhão com um retorno ao investidor ("yield") de 6,625%. Na reabertura, ontem, a operação saiu com uma taxa de 6,75%. A demanda menor também mostra a piora do cenário ­ enquanto no ano passado o volume de ordens de compra dos títulos foi de US$ 4 bilhões, ontem, ficou em cerca de US$ 600 milhões, ou duas vezes o livro de ofertas.
Apesar do prêmio maior de risco, a operação vem como uma notícia boa para mostrar que existe apetite do investidor para empresas com governança corporativa robusta e perspectiva de crescimento operacional, segundo Alexei Remizov, chefe de mercado de capitais para América Latina do HSBC. A instituição coordenou a oferta ao lado do Bank of America Merrill Lynch (BofA), BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA e XP Investimentos. De acordo com outro interlocutor que participou da operação e preferiu não ser mencionado, apesar do cenário mais complicado, os investidores estão dispostos a colocar dinheiro mesmo em companhias com alavancagem alta e de setores complexos. "O mercado está devagar, mas aberto.
Os investidores sabem diferenciar histórias ruins das boas", diz. Segundo outra fonte, é natural que os investidores cobrem algum prêmio para entrarem na reabertura do bônus. Embora positiva, a visão dos banqueiros é que a operação deve ser mais um caso específico do que o início de uma onda de novas ofertas. O investidor estrangeiro continua aguardando os próximos capítulos da novela política e indícios de que as reformas irão avançar e a economia continuará na tendência de retomada. A Fitch Ratings atribuiu a nota "BB­" à operação e espera agora um processo de desalavancagem mais lento da Minerva. Segundo a agência de classificação de risco, o índice dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficará entre 4 vezes e 4,3 vezes, acima do nível de 3,5 vezes do ano passado.
Por outro lado, a compra dos negócios da JBS na Argentina, Paraguai e Uruguai contribuirá para o aumento das receitas. "A proposta de aquisição deverá aumentar em 52% a capacidade de abate da empresa, para 26.380 cabeças de gado por dia, elevar suas receitas em 30% e gerar Ebitda adicional de US$ 55 milhões anualmente", diz a Fitch.
 
Fonte: VALOR ECONÔMICO