A Turquia adiou para janeiro de 2017 o início da vigência da lei que proíbe a utilização de farinhas e óleos de aves na alimentação animal do país. O setor avícola local havia pedido o adiamento por 10 anos. A preocupação é com o aumento nos custos de produção, como a necessidade de maior importação de soja e outros insumos para a fabricação de ração. Sem utilização na cadeia produtiva interna, os subprodutos terão de ser exportados ou incinerados, o que pode gerar reflexos no mercado mundial de reciclagem animal. A nova legislação turca segue determinações sanitárias da Comunidade Europeia. A reportagem foi publicada pelo site www.worldpoutry.net.
De acordo com a publicação, representantes do setor de aves turco informaram que em 2014 foram produzidas 300 mil toneladas de subprodutos de aves: 230 mil toneladas de farinhas de vísceras, penas e sangue e 70 mil toneladas de óleo de aves. Com a proibição da utilização desses ingredientes na alimentação animal, os criadores estimam que tenham de importar entre 400 e 500 mil toneladas a mais de soja, 30 mil toneladas de fosfato bicálcico e 80 mil toneladas de óleos para atender a cadeia. Atualmente, a Turquia já importa 2,6 milhões de toneladas de soja e farelo.
Segundo o coordenador técnico da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), Lucas Cypriano, a cadeia de produção de aves da Turquia já sente os reflexos do desafio em aderir às regras da Comunidade Europeia, que implicará em custos maiores e desafios ambientais crescentes. Para ele, a maior demanda por soja e outros produtos para a alimentação animal aumenta a demanda de mais terra arável no mundo. Outro componente importante é o gasto com diesel, tanto para a importação de insumos para aquele país quanto para a exportação das farinhas e óleos de aves que não terão mais uso interno.
“Eles não terão outro destino para as 300 mil toneladas de farinhas e gorduras de aves produzidas anualmente na Turquia senão a exportação, a incineração ou a produção de biodiesel e gás. Essas opções não são apenas mais custosas financeiramente como ambientalmente também o são. Quanto à exportação, é muito importante que fiquemos em alerta para um possível excesso de oferta de farinhas de aves no mercado externo à partir de 2017”, ressaltou.
 
Fonte: Assessoria de Comunicação ABRA, com informações da World Poultry (www.worldpoulty.net)