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Relatório do Rabobank cita consumo doméstico retraído devido à recessão e nota que a diferença de preços entre a carne bovina e alternativas de frangos e suínos está alta.
Para o Rabobank, a exportação de carne bovina do Brasil deve melhorar nos próximos meses, o que ajudará os preços do boi a permanecer firmes até o fim do ano. O relatório trimestral sobre a commodity mantém a previsão mesmo ante a melhora da oferta, que é esperada pela instituição financeira a partir do último trimestre de 2015.
O Rabobank também cita que, atualmente, a indústria brasileira mantém capacidade ociosa que pode ser utilizada para o abate de novilhos no fim do ano, à medida que a oferta estiver melhorando. A instituição ainda reconhece que a arroba poderia estar em patamar de preço superior nesta entressafra.
 A redução da exportação e do consumo doméstico diminuíram o potencial de os preços recobrarem os níveis recordes vistos no primeiro semestre – observa o analista Adolfo Fontes, no documento.
O relatório ressalta que o consumo doméstico tem patinado devido à recessão e nota que a diferença de preços entre a carne bovina e alternativas de frangos e suínos está alta e tem colaborado para a menor demanda. Em tempos de crise, parte dos brasileiros migra para opções mais baratas, como uma estratégia para fazer frente ao orçamento familiar mais apertado.
 
Mercado internacional
 
Para o Rabobank, a alta do dólar tem alterado a dinâmica do comércio exterior de carne bovina. As exportações dos Estados Unidos estão em queda, enquanto a demanda dos norte-americanos por cortes importados tem aumentado. A mudança cambial favorece o Brasil, que deve reforçar suas vendas externas. Além disso, o Rabobank nota que a desaceleração da China e a desvalorização do yuan têm limitado os preços de produtos bovinos no país.
 
Outro ponto de destaque são os embarques da Austrália e da Nova Zelândia aos Estados Unidos, pois o Rabobank espera que ambos os países atinjam o limite da sua quota de exportação sem tarifas alfandegárias nos próximos meses. Nesse ponto, analistas indicam que a demanda norte-americana tem aumentado e que consumidores podem estar dispostos a pagar a mais pelos importados. Como eventuais opções aos exportadores dos dois países, o Rabobank lista China, Japão e Coreia do Sul, com a ressalva de que o consumo nestes mercados pode não ser forte o suficiente para manter os preços acordados com os Estados Unidos.
 
O Rabobank também cita que o terceiro trimestre não reservou grande avanço em termos comerciais, com o Brasil ainda à espera do protocolo para começar a exportar carne in natura aos Estados Unidos. Além disso, a Austrália aguarda a aprovação parlamentar para o acordo de livre comércio com a China e a Rússia prolongou embargos à União Europeia, Estados Unidos e outros países.
 
 
 
 
Conteúdo Estadão.